Encontros e Despedidas
Uma certa vez, quando uma pessoa muito querida (namorada, na época) resolveu estudar fora do país, me mandou um e-mail com uma música que até então eu desconhecia. A letra falava sobre o momento que ela estava passando e viria passar. Mesmo sem conhecer, mas aquelas frases não me saíram mais da cabeça.
Com pouco tempo, creio que no mesmo mês da partida dela, começou uma novela na globo, cujo tema era exatamente aquela que ela havia me enviado, só que em uma regravação de Maria Rita. Coincidência ou não, aquilo mexeu muito comigo, e ficou como um hino para todas despedidas. Não consigo deixar de pensar na composição de Milton Nascimento, sempre que alguém vai embora. Hoje tive mais uma prova disso, do que é o gostar, do que é (vai ser) a saudade, e do quanto é ruim se despedir de quem se ama (não falo do amor de homem e mulher, e sim daquele sentimento todo especial que você nunca sabe quando começou nem sabe explicar, mas sente de uma forma única, ímpar e clara).
Mesmo quando sabemos que quem vai, normalmente realiza um sonho (pessoal ou profissional) e leva na bagagem lembranças e saudades, mas pra quem fica, a dor parece maior, porque cada lembrança, cada coisinha por menor que seja, mas que traga ao pensamento aquela pessoa que partiu, nos mostra o quanto falta sentimos, pois certamente aquilo não terá mais o mesmo sentido. E agora? O que será dos shows de Jammil? Que falta me faz aquela dancinha... Quem vai me chamar de leso? Enfim, que o tempo passe, e que possamos nos encontrar lá na frente, cheios de histórias, saudades e lembranças, para dar continuidade a uma amizade que a distância faz questão de separar.
E quanto à música, lá vai:
Encontros e Despedidas (M. Nascimento E F. Brant)
Mande notícias do mundo de lá Diz quem fica Me dê um abraço Venha me apertar Tô chegando Coisa que gosto é poder partir Sem ter planos Melhor ainda é poder voltar Quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem A vida se repete na estação Tem gente que chega pra ficar Tem gente que vai pra nunca mais Tem gente que vem e quer voltar Tem gente que vai e quer ficar Tem gente que veio só olhar Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir São só dois lados Da mesma viagem O trem que chega É o mesmo trem da partida A hora do encontro É também despedida A plataforma dessa estação É a vida desse meu lugar É a vida desse meu lugar É a vida
Escrito por J. Marinheiro Filho às 16h07
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