Demitir ou descartar?
Esse foi o título do e-mail que mandei pro reitor da Universidade Católica de Pernambuco, alguns dias atrás, com parte da imprensa do estado em cópia. Segue o texto na íntegra:
De: J. Marinheiro [mailto:marinheirofilho@polydisc.net] Enviada em: quinta-feira, 6 de dezembro de 2007 13:40 Para: 'prubens@unicap.br'
Assunto: Demitir ou descartar? Prioridade: Alta
À
Universidade Católica de Pernambuco
À
Vossa Magnificência
Compreendo que toda empresa passe por dificuldades, crises, ou coisa parecida. Entendo também que cada instituição saiba como deve proceder em cada caso, mas acredito que às vezes não se é tomada a melhor decisão.
É direito de qualquer pessoa jurídica demitir quantos e qualquer funcionário na hora que bem entender, independente do motivo, bastando apenas assumir as devidas obrigações legais com o até então funcionário, mas o que vem a chocar é o fato de uma instituição que se diz Católica, cristã; uma entidade que se propõe à levar educação para as pessoas tratar um funcionário como um objeto descartável e sem valor, o jogando fora quando não mais necessário.
É política de multinacional o programa de recolocação no mercado de trabalho, visando dar continuidade à vida profissional daqueles que contribuíram para o desenvolvimento daquela empresa, e cumprindo com sua responsabilidade social de não colocar mais um desempregado na rua.
É certo que uma instituição do nível da UNICAP tenha mais com o que se preocupar do que com a vida pessoal de cada um que compõe seu quadro, mas daí a chamar, avisar que aquele ser que durante 5, 10, 20, 36 ou 38 anos (meu pai e meu tio, respectivamente) dedicou toda sua vida àquele local, batalhando, suando, compartilhando as vitórias e derrotas não faz mais parte do seu quadro e não precisa trabalhar nem sequer naquela data (ontem), é um pouco contraditório.
Não sei se o Santo Inácio de Loyola aprovaria tal cruel decisão.
Peço desculpas pelo desabafo, mas também sei que nem todas minhas palavras serão capazes de descrever a dor e decepção que vi nos olhos do meu pai, tio, e muitos outros que foram sumariamente demitido. Como filho, como cidadão, como ser humano eu lamento essa atitude, e espero que os estudantes que ali estudam e buscam se tornar profissionais não tomem isso como exemplo de administração.
Demitir, sim. Desprezar e descartar, JAMAIS.
Atc,
J. Marinheiro Filho.
Como era esperado, não obtive resposta alguma, mas o setor responsável da instituição entrou em contato com o meu pai e solicitou sua presença. Chegando lá, ele que até então não sabia do e-mail, recebeu uma cópia impressa e foi informado que esse meu ato poderia repercurtir de forma negativa para a UNICAP. Meu pai leu o texto, disse que não sabia do fato, mas que apoiava e admirava minha atitude, e que aquilo ao menos pudesse servir para que eles pensassem antes de descartar alguém dessa maneira, um ato verdadeiramente desumano. Meu pai me ligou nesse mesmo dia e me agradeceu, e ainda disse que aquilo era exatamente o que ele sentia mais não tinha coragem de dizer. Me sinto com o dever cumprido. E trabalhando ou desempregado; Como aposentado ou dono de casa, meu pai sempre será meu maior ídolo.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 13h58
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