Covardia e outras coisas mais
Tirando todo estresse e carga psicológica acerca da política, para mim a campanha deveria durar uns 3 ou 4 meses, pois é algo que mexe demais com a cidade (no caso de eleições municipais) e com as pessoas. Ficamos todos com os nervos à flor da pele e buscamos canos de escape. Cada dia é uma pesquisa nova (manipulada ou não), um fato, um boato. Temos que manter a calma e tomar sempre a decisão mais correta, mas nem todos agem assim. Neste sábado soubemos de um fato que deixou-me "de cara", pois um determinado político que sempre tive respeito e admiração, além de reconhecer tudo que ele fez pelo turismo do estado e também pelo meu irmão Almir Rouche, mas que recentemente mudou de lado, rompeu com aliados e demonstrou uma certa instabilidade partidária. Quando as chapas para disputa da prefeitura foram formadas, houve uma natural separação, mas de certa forma todos continuaram aliados. Mas ELE, não... ELE se vendeu, está em Brasília, almoçando com nosso querido presidente, onde irá oficializar sua desistência da candidatura à prefeito do Recife. Irá tentar convencer a população que até então votaria nele transferir seu voto ao candidato do PT. Alguém que em toda sua vida pública sempre criticou o PT e esteve ao lado dos partidos que se opunham ao PT. Em menos de dois anos esse político trocou de lado umas três ou quatro vezes, e agora se mostrou totalmente adverso aos conceitos básicos de carater e ética, seja na política ou não, pois alguém que trai seus aliados e amigos se mostra capaz de fazer qualquer coisa. Um ato de covardia que que decepciona todos ao seu redor.
Deixando isso de lado, o final de semana foi pra lá de divertido e agitado, pena não poder dizer tudo que fiz, mas tentarei resumir e filtrar alguns fatos. Sexta: Saio do trabalho, vou em casa jantar e tomar banho (é, banho é bom). De lá uma paradinha estratégica e logo em seguida vou pro comitê da juventude. Colocamos o papo em dia e outras coisinhas mais. Não interessa a hora que saí de lá. Amanhece o sábado, eu saio com meu cunhado para ir buscar o carro novo dele. De lá sigo para o comitê central onde iria acontecer a feijoada com os líderes comunitários. Ilanna chega com os pais. Quando tentamos sair de lá haviam 12 carros trancando o meu, a alternativa é chamar Zé Carlos (motorista de Ilanna), que nos leva até sua casa, onde gravamos o CD com as músicas que iremos precisar na festa de Luciano (em seguida) e buscamos Bebel. Voltamos ao comitê central. A fome bate e seguimos o conselho de Taciana e vamos almoçar no Skillus Classic, mais uma vez Zé Carlos nos leva. Mendonça e Taciana continuam na feijoada. Acabado o almoço, seguimos para o comitê da juventude onde estava acontecendo o aniversário de Luciano. Passa algum tempo o cansaço toma conta dela e ela segue pra casa. Adson chega, começamos "os trabalhos". Aos poucos nossa turma vai se formando, o tempo passa e das 15h até as 21h é um pulo. Por volta das 22h Adson me deixa no comitê central, eu pego meu carro e tento lembrar onde eu moro. Pra minha surpresa, eu acerto de primeira. O domingo amanhece um pouco nublado, mas as 8h30 já estou no comitê da juventude aguardando Adson, já que a concentração seria na Pracinha de Boa Viagem e o término da caminhada lá no c.j, onde haveria um grande churrasco para toda militância e convidados. Ele demora a chegar e eu pego uma carona e vou de Kombi até o local marcado. São 9h e o pessoal começa a chegar. Já tem bastante gente do PT e a praça estava em sua maioria vermelha. Um fato chama atenção de todos: haviam contratado 5 animadores (3 moças, 1 rapaz e uma criança) fantasiados para interagir com os pedestres e banhistas. Eles levam cerca de uma hora para se maquiarem e como nosso carro de som estava bem ao lado deles, eles não paravam de cantar e dançar nosso jingle. Sabiam TODO, decorado cada estrofe, cada fala do cantor. O coordenador do grupo ficava à todo instante mandando eles pararem, até porque eles estavam ali para trabalhar pro PT, mas de nada adiantou e o que vimos foi a militância da oposição dançar e cantar ao som de MC Leozinho. Bom demais. A caminhada começa, a Rede Globo vai lá entrevistar NOSSO prefeito e ao longo do percurso pudemos ver de tudo: Um sr. de idade que se emocionou e chorou de soluçar ao abraçar MF; uma garota com um micro biquini que ficava tentando aparecer de qualquer forma e sempre andava na frente e se deitava para que passássemos por ela outras e outras vezes, sempre com sua bunda à mostra; uma vendedora ambulante que espontaneamente quis dar um depoimento (até então o MELHOR de toda campanha), onde ela falava dos problemas enfrentados junto com a prefeitura; um vendedor de caldinho que reclamava da proibição da prefeitura de vender bebida alcoólica na praia (existe?); crianças, jovens, adultos, todos cheios de esperanças por um Recife melhor. Entre caldinhos e demais acompanhamentos, a fome bate e resolvemos ir almoçar no Paraxaxá. Quando vamos pegar um táxi vimos uma kombi adesivada de 25, na mesma hora pedimos carona (pois imaginamos ser uma das que contratamos para a campanha), o motorista explica que não trabalha pra gente e que adesivou o carro por simpatia ao candidato mas que poderá nos dar uma carona sem maiores problemas e entramos literalmente numa fria, pois o carro estava transportando gelo, e lá vou eu e Adson no meio dos sacos e sacos de gelo. Pelo menos não reclamamos do calor. Chegamos no restaurante e Leo já estava nos esperando. Comemos, bebemos e conversamos bobagens. Seguimos pro comitê da juventude. Lá a festa está "mais animada que coceira", nosso prefeito chega, rola assédio e fotos, MUITAS FOTOS (sem comentários). Comemos um churrasquinho (é, ainda cabe), nos hidratamos e a farra continua, só que dessa vez vamos para o Artesão. Aí é só alegria... A macacada TODA (ou quase) reunida, comemos, bebemos, cantamos, conversamos, falamos mal do povo (uma pessoa em especial, digo, duas), fizemos planos, e claro, pegaram no meu pé. Apelidos e termos "técnicos" não faltaram. Impossível comentar. Ao contrário do racional, quando o jogo do Brasil está pra começar, todos nós vamos embora, até porque o cansaço era maior que qualquer outra coisa. Entre os fatos declarados e os omitidos, esse foi um final de semana que não poderei esquecer.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 10h51
[]
[envie esta mensagem]
|