Volto já

Sabe por que eu gosto tanto de LOST? Porque lá nem tudo faz sentido mas tudo está interligado. Por mais distintos que pareçam, mas sempre um personagem tem uma forte ligação com um outro, e assim, sucessivamente.
Lembra que falei da diferença das pessoas? Citando dois primos meus, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, onde um é louco por carro e um tanto quanto irresponsável (o que deu perda total no A3) e o outro prefere andar de busão? Então... Essa semana eu pensei bastante nesse primo. Vivemos nossa infância e adolescência como tinha que ser. Aprontamos muito, erramos pra caralho, só não fizemos troca-troca (antes que alguém solte alguma gracinha). Éramos o terror da família, até porque somos os mais velhos da nossa geração e nascemos no mesmo ano, com diferença de 3 meses. Comíamos feito monstros. Adóravamos uma boa farra e ficávamos de olho nos "adultos". Até traições chegamos a descobrir naquela época, quando a cunhada de uma tia foi para um lugar reservado com um dos empregados da família, enquanto seu marido estava enfermo. Descobrir era besteira, o problema é que fazíamos questão de divulgar. Fizemos armadilha pra pegar ladrão, quando sua casa foi invadida durante as férias em João Pessoa. Fazíamos paródias com as "músicas do momento", sempre recheadas de conteúdo chulo e impróprio, enlouquecendo nossos pais. Com ele e meus tios eu fui pela primeira à Natal, e ao chegar em Genipabú (na época as dunas ainda estavam aberta para circulação), subimos na mais alta de todas e eu, como sempre, querendo bancar o engraçado (até que fui engraçado, mas fui mais idiota do que cômico), agachei-me, abracei minhas pernas abaixo do joelho, abaixei a cabeça e rolei até o mar, ao melhor estilo SONIC. É mole? Entrou areia em quase todos buracos do meu corpo. Boca, orelha, nariz... Até hoje eu espirro e vejo areia de praia. O enjôo nem demorou tanto e o melhor foi, lá de baixo, ver meu primo fazer a mesma merda. Tosco.
Enfim, dentre histórias que eu lembro e as que esqueci, tiveram tardes e noites jogando vídeo-game, games de PC, RPG. Meus personagens sempre se dividiam entre a coragem e a precaução. Um dia eu conto outras...
O engraçado é que o tempo passou, eu casei, ele casou, eu fui pai, eu me separei e graças à Deus ele continua (bem) casado. Daqui à pouco ele deve chegar aqui (em Recife) para fazer mais um concurso público, e deve dormir por aqui.
Sabe o mais engraçado? É que em 2005, enquanto ele comemorava seu aniversário (que realmente era naquele dia) em João Pessoa, eu que ganhava o presente em um outro lugar. Aquela noite de "vinte e três de julho" jamais seria esquecida.
Hoje ele chega aqui e terá muita coisa pra ouvir e falar.

Coincidência é o caralho... O mundo gosta de nos sacanear, é só isso.

Essa conversa toda me deu sede. Vou ali pegar algo pra beber e volto já.



Escrito por J. Marinheiro Filho às 10h45
[] [envie esta mensagem]



Seguindo estrelas

      Sigo palavras e busco estrelas
      O que é que o mundo fez
      Pra você rir assim
      Pra não tocá-la, melhor nem vê-la
      Como é que você pôde se perder de mim
      Faz tanto frio, faz tanto tempo
      Que no meu mundo algo se perdeu
      Te mando beijos
      Em outdoors pela avenida
      E você sempre tão distraída
      Passa e não vê, e não vê

      Fico acordado noites inteiras
      Os dias parecem não ter mais fim
      E a esfinge da espera
      Olhos de pedra sem pena de mim
      Faz tanto frio, faz tanto tempo
      Que no meu mundo algo se perdeu
      Te mando beijos
      Em outdoors pela avenida
      Você sempre tão distraída
      Passa e não vê, e não vê

      Já não consigo não pensar em você
      Já não consigo não pensar em você



Escrito por J. Marinheiro Filho às 10h53
[] [envie esta mensagem]



De onde vem a calma?

Para chegar onde quero, irei tentar fazer um passeio pela história da minha família e origem do sobrenome que pensam ser apelido.
Não sei exatamente em que ano, mas dois portugueses de sobrenome MARINHEIRO resolveram se aventurar em um navio com destino ao Brasil. Se fugiam de alguma crise ou marido ciumento, eu não sei dizer, mas eles chegaram ao país e logo foram arrumando mulher e filho.
Pesquisando em arquivos portugueses, descobrimos que a família Marinheiro já foi (não sei nos dias de hoje) uma família muito tradicional, e em uma das guerras, os meus antepassados lutaram bravamente ao lado do exército do Rei, o que rendeu o brazão que nossa família utiliza até hoje. O Rei de Portugual, em pessoa, foi até um representante nosso e entregou o brazão talhado em ouro por um artesão/ourive da realeza.
Em 1914, no Brasil, nascia Antônio Marinheiro da Costa, ou apenas "Vovô Antônio", como aprendi a amar, respeitar, admirar e chamar.
Seu Antônio, como chamava minha mãe, teve 21 filhos com minha avó. Como naquela época nem todos recém-nascidos conseguiam chegar à vida adulta, e atualmente só 11 estão vivos. Tive tios gêmeos, tive tio que nasceu em 29/02, o mesmo que nasceu com 6 dedos em cada mão. Bizarro? Não mesmo...
José Marinheiro de Oliveira foi um dos primeiros filhos, nascido em 1944. Como seus pais (meus avós) não tinham lá tanto dinheiro (na verdade não tinham nenhum, moravam em uma fazenda nas proximidades de Campina Grande, depois passaram por Patos (onde meu pai nasceu), João Pessoa, São Paulo e finalmente, Recife, José, Zeca ou Zequinha ajudou a criar seus irmãos mais novos, e pára isso começou a trabalhar ainda na infância, ajudando meu avô, que era comerciante, na feira livre em Campina Grande. Acompanhou os pais por toda a vida, sempre ajudando-os e os irmãos. Todo esforço valeu à pena. Praticamente todos meus tios se formaram, alcançaram um bom lugar na sociedade. De empresário à Diretor das Aldeias S.O.S. (UNICEF) à Auditor da Receita; de empresário à Diretor de Exportação de Multi-Nacional; de Gerente Comercial à Assistente Social. Na minha família tem de tudo, todos são motivos de orgulho. O José, para mim apenas Pai ou Painho, não chegou a se formar, mas às custas de muito esforço e trabalho, por 37 anos esteve à frente de várias chefias de setor em uma das maiores universidades particular do país, onde sempre trabalhou bastante satisfeito e dedicado, além, claro, de ser muito bem remunerado, o que foi fundamental em nossa vida.
Antes de mim, vieram 5 irmãos. Três deles frutos do primeiro casamento do meu pai, ainda em João Pessoa. Depois vieram mais duas filhas, com minha mãe, até que eu nasci, em 1/4/82. Costumo dizer que meu pai teve 6 filhos porque buscava a perfeição, se realizando quando eu nasci. Brincadeira... (or not).
Chegando quase lá, eu cito um outro tio, que sempre admirei até um pouco mais que os outros, e nele me inspirei pra aprender idiomas, pois ele disse que não aprendeu os 7 que sabe, de uma só vez, e me deu a seguinte dica:
_Para se aprender um idioma, é importante que você tente racionar já na língua em questão, exemplo: Se te perguntarem algo em inglês, automaticamente você vai tentar traduzir mentalmente para o português, para depois bolar uma resposta em português ainda para só então tentar traduzir a resposta para o inglês. Isso te faz perder tempo e raciocínio, dificultando o aprendizado. Não traduza, apenas entenda o que te perguntaram e já responda no idioma. Pense já em inglês (por exemplo), é mais rápido. E depois que você dominar um idioma, os outros irão fluir bem mais fácil.
Esse meu tio, além de um poliglota e excelente administrador (sempre à frente de grandes empresas, como Dir. Executivo da Valmet (indústria multinacional de tratores e afins), Brascorda, etc, sempre foi um sonhador. Sonhava em ver a família unida e bem (financeiramente falando). Embora a grande maioria já estivesse com a vida organizada, mas ele queria mais, e foi atrás do seu sonho.
Pediu demissão da Valmet (em que a esposa, minha tia, ocupava o cargo de secretaria executiva), alugou o luxuoso apartamento que morava em uma das áreas mais privilegiadas em São Paulo e com sua generosa rescisão trabalhista veio para Recife onde abriu uma indústria em sociedade com mais quatro irmãos. Uns entraram com capital, outros só com o trabalho.
Meu pai entrou com todo capital que disponha e mais que isso, abriu mão de um período inteiro da empresa que trabalhava para se dedicar toda tarde na MAHOGANY, indústria do seguimento de móveis.
Minha mãe também acreditou na idéia e se empenhou naquela fábrica. Com pouco tempo de funcionamento já era notável a quantidade de sobra de material, que acabava virando entulho e sendo jogado fora, foi quando surgiu a idéia de abrir uma outra empresa, que faria brinquedos educativos (didáticos) a partir da sobra de madeira. Ali nascia a "Brinquedos Pimpo" (o Pimpo, em maior destaque. A escolha do nome se deu por ser uma referência à Pimpolho, termo que descreve qualquer criança. Esse também era meu apelido desde antes meu nascimento, mas isso fica pra uma próxima). Foi um sucesso absoluto. O faturamento foi ás alturas. Feiras, congressos, exposições... Os brinquedos PIMPO estavam por todo lugar, até que surgiu o convite para exportação, e minha mãe ficou responsável pelos contratos. Viajou até o sudeste do país para acertar os detalhes, pois meu tio já havia se antecipado e enviado uma grande quantia de produtos, containers lotados. O tal exportador era um verdadeiro 171 e tomamos o maior prejuízo.
Simultâneamente, alguns funcionários perceberam a ausência e falta de controle por parte dos donos e começaram a desviar dinheiro (o setor de cobrança) e material (os da mão-de-obra). A falência então batia à nossa porta.
Como falei, todos tinham a vida organizada, e embora todos tiveram tomado um grande prejuízo, mas as outras fontes de renda garantiriam a sobrevivência, e em pouco tempo tudo estaria no seu devido lugar. Mas e meu tio que jogou tudo pra cima por um sonho? O que fazer?
Por ter um excelente curriculum com conhecimentos em diversas áreas, PHD de ciências econômicas e administração, meu tio fora chamado para dirigir uma outra grande empresa portugues com sede em João Pessoa, e para lá ele partiu com a mulher e meus três primos, sem um centavo no bolso. É claro que a família ajudou, mas sua determinação e competência foram o que lhe ajudaram a reconstruis sua vida. Dez anos depois ele receberia uma proposta com um aumento salariald de 300% para outra empresa, que pouco tempo depois aprontaria com ele e o colocaria no olho da rua, mais uma vez.
Mais uma vez ele reconstrói tudo e passou por novas experiências. Abriu uma outra indústria em João Pessoa, foi representante comercial, teve 3 lojas (das quais ainda mantém duas), professor universitário, diretor do curso de administração da UFPB (a convite da reitoria) e conseguiu um patrimônio que o deixa viver confortavelmente.
Agora chego onde quero: a diferença das pessoas mesmo quando são tão próximas, como irmãos.
Meu pai, sempre calmo, sereno, tanquilo. Já ganhou muito dinheiro ao longo dos anos, mas nunca ostentou. Sua maior realização foi quando comprou seu primeiro carro zero (pois achava desnecessário compra um 0KM) e quando comprou nossa chácara, pois desde a infância que sentia saudades de estar "no meio do mato". Meu pai é e sempre foi um homem simples, sem muitas aspirações. Sempre ajudou à todos, por muitos anos sendo responsável pela renda da nossa casa, claro; da casa dos meus avós; casa dos meus irmãos; casa de um outro tio meu que passava por uma fase difícil, mas nunca quis fazer barulho, chamar atenção. Sempre ajudou sem querer aparecer, para ele o importante era realmente colaborar, lição essa passada pelos meus avós e seguida pela maioria dos meus tios.
Não condeno meus tios que ostentam, pois eu provavelmete faria o mesmo na situação deles, até porque ter uma excelente moradia e carro não é necessariamente luxo, e sim, conforto. Para quê trabalhar se não temos ao menos conforto? Meu pai contenta-se com o básico.
Abismo maior eu vejo entre três irmãos, meus primos (filhos do que falei logo acima). O mais velho (da minha idade) sempre foi estudioso, um verdadeiro gênio. Ao seu lado aprontamos tudo que podíamos, já que fomos criados (pelo menos durante a infância) pela mesma empregada, e quando foi morar em João Pessoa, eu passava lá todas minhas férias e feriados prolongados. Na adolescência ele manifestou o interesse pela música, e os primeiros solos e acordes do violão foram ensinados por mim. O tempo passou, ele se formou em um curso superior que não lembro ao certo, sei que é na área de informática e acabou desistindo de um segundo curso para então se dedicar à música, ao qual se formou como o primeiro da turma e hoje em dia é reconhecido pelo seu talento. O do meio é aquele que podemos olhar e dizer: Aquilo sim é nerd. Outro de uma inteligência e poder de concentração invejável, mas que abandonou os estudos para se dedicar a uma ocupação polêmica: JOGAR VIDEO-GAME.
Esse daí ficou mais horas de castigo e apanhou mais do que refugiado em campo de concentração, mas nada o fazia desistir, até que isso virou profissão (acredite) e ele viaja o mundo competindo e representando o Brasil (patrocínio da Samsung) nos campeonatos mundiais. Sempre bem posicionado no ranking, há pouco tempo foi destaque de uma matéria da revista Super Interessante ao conquistar o segundo lugar no mundial, realizado na Itália. Já passou por vários países e já arrematou prêmios de até U$ 20.000 (vinte mil dólares). Além de jogar, é proprietário e desenvolvedor do maior provedor de internet à rádio de João Pessoa, sua fonte de renda quando não há campeonatos
O mais novo tinha tudo para ser o vagabundo. Não gostava de estudar, adorava curtir, sair, se divertir e tomar uma de leve.
Memso novo mostrou os dotes para o comércio e aos 16 anos assumiu uma das lojas do meu tio e comprou sua primeira moto. Hoje, com 22 anos já conquistou bem mais que isso, e segue à frente da empresa.
Enquanto o mais novo só anda com roupas de marca e cabelo e barba bem feitos, o mais velho acha um jeans com uma camisa de botão a combinação perfeita e não faz a barba ou corta os cabelos desde que o homem pisou na lua.
Enquanto o mais velho acha carro um bem desprezível, e sente prazer em andar de ônibus por toda a vida (mesmo com um carro parado na garagem do pai), o outro conseguiu a façanha de dar uma perda total em um A3 (audi) 0km, ao capotar seis vezes, menos de duas semanas após comprar o carro.
Enquanto um casou no civil e no religioso, quase virgem, com uma virgem, o mais novo... Nem dá pra falar...

É isso, o mundo é feito de diferenças, e eu tento viver bem entre elas. E sobre a minha família, então, me orgulho muito deles.

 

"De onde vem a calma?" é um sucesso de Los Hermanos, segue pequeno trecho:

      Eu não vou mudar não
      Eu vou ficar são
      Mesmo se for só não vou ceder
      Deus vai dar aval sim
      O mal vai ter fim
      E no final assim calado
      Eu sei que vou ser coroado rei de mim.



Escrito por J. Marinheiro Filho às 23h55
[] [envie esta mensagem]



Quinta-feira?

Definitivamente eu já vivi o dia de hoje. Tem quem acredite, outros não.
Ao tomar café da manhã eu acompanhava um noticiário nacional de uma emissora qualquer, quando a repórter começa a falar dos times brasileiros que foram eliminados na Copa Sulamericana. Na mesma hora comentei: _Puta merda, essa notícia é de ontem, ontem de manhã eu vi que o Palmeiras e Botafogo foram eliminados por 2x0 e 2x2. Esse canal é muito atrasado mesmo. Em seguida, a jornalista repete o que eu comentara. O que me deixou surpreso é que esses jogos foram ontem à noite, enquanto eu trabalhava, já que saí da agência por volta de 00:00. Aí então eu percebi que aquilo ela um Déjà Vu.
Ao sair de casa, ainda no jardim, meu pai vem comentar um sonho que ele teve na noite anterior. Tudo normal se o sonho não fosse igual ao meu. Mesmo tema, mesmo local, mesmo acontecimento...
No caminho pro trabalho, ainda no trânsito algo de anormal acontece e mais uma vez vivo algo que tenho certeza que já havia passado.
Já no trabalho, por duas vezes tenho a mesma impressão, ou melhor, a mesma certeza que o filme se repete e escuto as respostas que já escutara em outra época.
Ainda não são meio-dia e já aconteceu tudo isso. Não sinto medo, mas realmente eu gostaria de saber o que essa quinta-feira ainda me reserva. Será que ela acaba, ou voltarei no tempo mais uma vez?



Escrito por J. Marinheiro Filho às 12h48
[] [envie esta mensagem]



Por Enquanto

Azul ou verde? Preto ou branco? Café ou chá? Quente ou frio? Praia ou fazenda? Claro ou escuro? Com ou sem? Cerveja ou chopp? Whisky ou vodka? Red bull ou fanta? Dinheiro ou cartão? À vista ou prazo? Praia ou montanha? A ou B? Sim ou não? Escolha um número. Escolha um prato. Escolha um modelo...

É sempre assim, não adianta o que você faça ou onde quer que vá, a vida é feita de escolhas.

Hoje quando seguia para casa, no meu horário de almoço, eu tinha mais algumas escolhas a fazer. Como a mais simples, que seria a escolha do caminho pra casa. Eu poderia fazer pelo menos 4 combinações de percurso. Fiz aquela que eu teria prazer em mostrar para qualquer turista.
Algumas quadras depois da empresa eu entrei na Av. Boa Viagem. Avenida beira-mar da mais bela praia da Região Metropolitana do Recife. A maré está um pouco baixa e do carro mesmo consigo enxergar uma faixa de areia. Cerca de 4 km depois, já no Pina, pego a esquerda no empresarial JCPM, uma verdadeira obra de arte. Sigo sentido Recife antigo.
Durante o dia, nem tanto, mas trafegar ali durante à noite é ver belas paisagens com a da marina do Cabanga Iate Clube, do Cais José Estelita, dos galpões antigos que recentemente foram arrematados por uma grande construtora... Pouco mais à frente chagamos ao Forte do Brum, cenário de batalhas e atualmente palco para diversas festas e shows. Atravesso o rio Capibaribe e cruzo a saudosa Rua da Aurora.
A beleza dá lugar à tristeza (passo pelo Cemitério dos Ingleses - um dos três que existem no país) e logo em seguida ao cenário de reforma e abandono que a Av. Norte se encontra. Em meio às obras, aquele local mais parece algo de filme de terror, principalmente à noite, quando a má iluminação dá espaço à violência e pobreza,

Passo pelo viaduto que cruza a Av. Agameno Magalhães, estou quase chegando em casa. Casarões belos e antigos são comuns ao final do trajeto. Mais uma espécie de favelinha eu passo e não consigo deixar de notar a falta de condições necessárias para uma vida digna, mas, nosso país é assim mesmo: Uns com tanto, outros sem nada.

      "E mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está, e nem desistir nem tentar
      Agora tanto faz, estamos indo de volta pra casa..."


Chegar em casa é sempre bom, o problema apenas existe quando não me sinto mais em casa, quando acho que aquilo ali já não é mais meu lugar ou não reconheço a situação. Que bom que isso passa, que bom que todas as vezes que fui, eu pude voltar, e por mais que demorasse a me readaptar, isso sempre acontecia e tudo voltava ao seu normal, à sua rotina. Mas se eu não quiser mais rotina?

Aí já é uma outra escolha...



Escrito por J. Marinheiro Filho às 17h22
[] [envie esta mensagem]



Não precisa mudar (or not)

Sempre fui à favor de mudanças, encaro sempre como um novo momento em nossa vida, um aprendizado e uma nova chance de fazer diferente.
Mas quando chegamos no momento que desejamos mudar mais alguma coisa, porém não conseguimos, o que devemos fazer?
Pode ser o horário de dormir ou acordar; pode ser o modo de se vestir ou se comportar; pode ser a maneira de demonstrar seus sentimentos; pode ser nossa linguagem e/ou vocabulário; pode ser mudar de endereço, de cidade, de país; pode ser o emprego que queiramos mudar ou até mesmo a área que trabalhamos...
E aí, o que nos resta?
Como processar aquelas mudanças que nem sabemos por onde começar nem que caminho seguir?
Se o medo de tentar ou errar não nos impede, o que atrapalha, então?

      "Não precisar mudar, vou me adaptar ao seu jeito, seus costumes, seus defeitos, seu ciúme, suas caras, pra quê mudá-las?"

Alguns cobram a mudança alheia, outros preferem adaptar-se às diferenças.

      "Não precisa mudar, vou saber fazer o seu jogo, saber tudo do seu gosto sem deixar nenhuma mágoa, sem cobrar nada"

Eu não quero que ninguém mude, cada um é cada um. Apenas, sinto que nesse exato momento ou eu decido qual caminho seguir ou serei atropelado por idéias, planos e sonhos não concluídos.

Eu sei o que quero
Eu sei onde quero estar
Eu sei com quem quero estar
Eu sei o que quero fazer
Eu sei como quero viver
E também sei o que não quero manter

Esperar? Esperar pra quê?


Live and let die



Escrito por J. Marinheiro Filho às 12h41
[] [envie esta mensagem]



Mais uma de amor

Já fazia um certo tempo que não viajava à Natal.
Todos sabem meu vínculo com essa cidade. Aqui eu morei, aqui eu amei, aqui eu fui feliz.
Aqui eu conheci alguém tão especial que nem o tempo nem a distância foi capaz de separar.
Histórias e lembranças não me faltam. Do primeiro "Carnatal", em 1999 ao "Muitos Carnavais do ano Seguinte", do emprego na UVA/IB/IBRAPES ao show de Timbalada no Imirá Plaza. Dos muitos reveillons com Almir Rouche, às festas na fazenda em Macaíba. Aqui eu vi batedor da PM se fuder ao ser atingido por um carro; aqui eu vi Almir ser eleito o melhor de todo carnatal; aqui eu vi meus primos crescerem, minha prima virar mulher; aqui eu vi meu irmão casar e ser pai; aqui eu eu vi alguém sorrir, e aquele sorriso eu nunca esqueceria.
Passam os anos mas não passa o sentimento, a emoção. Cada encontro com ela eu me sinto bobo, me sinto frágil, me sinto feliz. Impossível conter a cara de menino que ganhou o brinquedo de seus sonhos mas está tímido e mal consegue agradecer ou brincar. Impossível cumprir com o trato, impossível não querer mais, impossível não querer sempre.
Amor? Amor é isso, amor não é só toque, isso é desejo. Amor não é só sexo, isso é tesão. Amor não é só carinho, isso é amizade. Amor é você estar com quem você acredita e se faz acreditar. Amor é se sentir bem mesmo quando recebe um não. Amor é entender até o silêncio. Amor é respeitar a vontade do outro mesmo quando vai de encontro a sua. Amor é querer estar perto, amor é não fazer questão de estar certo. Amor é isso, meu amor é ela.
Como amar alguém que mora longe e não é "seu"? Como se entende, como se explica?
Mudamos a pergunta: Para quê entender? Para quê explicar?
O que somos então? Bons amigos! Amigos para todas as horas. Ela é aquela amiga que eu não abro mão; a que me fez e faz escrever; a que entende o real significado de cada postagem; a que eu não preciso fazer média; a que conhece meus defeitos; a que controla os meus desejos; a que me pede pra parar quando eu tento começar; a que não teme o desconhecido; a que não discrimina o proibido; a que sempre usa a razão; a que controla a emoção; a que eu entendo pelo olhar; a que não me canso de sonhar.
Aprendi muito ao longo desses anos. Percebi o real valor das pessoas. Por ela eu briguei, enfrentei, menti. Nada me afastaria dela, a não ser sua própria vontade. Difícil que um encontro em um show se transformasse em uma amizade tão concreta. A distância exata entre Recife e Natal eu não sei ao certo, mas a viagem de vinda é sempre melhor que a volta. A ida leva esperança, a volta só carrega saudades.
Um sonho da quinta para a sexta mudou toda a prgramação e meu final-de-semana começou a ser desenhado. Um telefone recebido me deu a certeza que eu precisava: Carlinhos também se programava para vir à Natal. Coincidência? Destino? O que importa??? Sei que nem as 4 horas de viagens devido às péssimas condições da estrada ou os contratempos enfrentados ao chegar na cidade foram capazes de estragar meu humor (até que estragou, mas a noite no friozinho da fazenda junto com algumas doses de vodka me trouxeram de novo aquilo que me trouxe à Natal).
Um "milagre" acontece: nem o celular funciona aqui em Macaíba, mas pra total surpresa, o 3G conecta. Também não adianta me empolgar, fiquei on line só o tempo de deixar um scrap e checar alguns e-mails. Não adianta insistir, o dia amanhece (passa das 5 da manhã) e só me resta dormir.
Sigo para Natal e dessa vez o percusso parece interminável. A ansiedade é proporcional ao sentimento.
O almoço e o cinema passam voando. A tarde se vai e a vida nos chama de volta para nosso mundo. Não sei quanto tempo passamos juntos. Não lembro de tudo que conversamos, mas tenho absoluta certeza que ela é minha escolha mais certa.
O que o destino nos reserva? Quem vai saber... Se nos mantivermos assim, se nada mudar, para mim já será o bastante, e o que vier além disso será lucro.
Aproveito a viagem e vou resolver alguns contratos e estabelecer alguns contatos.
O céu está especialmente estrelado. A estrada escura que me leva até a fazenda passa tão rápido que quase passo da entrada. Termino a noite ao melhor estilo Marinheiro de ser. Com um sorriso no rosto, tomando uma "de leve" e achando graça de tudo com os amigos.
Dormir? Nem pensar... Nem a escuridão e o frio conseguem me fazer dormir e as lembranças se misturam com os sonhos.

       "É saudade então e mais uma vez, de você fiz o desenho mais perfeito que se fez...
       
os traços copiei do que não aconteceu, as cores que escolhi entre as tintas que inventei,
        misturei com as promessas que nós dois nunca fizemos de um dia sermos três..."

Voltar pra Recife é sempre a pior parte, não que eu não queira rever minha família e amigos, mas é que Natal... Ah, Rio Grande do Norte que sempre me faz bem, que sempre me deixa feliz.

Falando nisso, está na hora de sair de Macaíba e seguir pra Natal, encontros e despedidas me aguardam.



Escrito por J. Marinheiro Filho às 12h39
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


 



Meu perfil
BRASIL, Nordeste, RECIFE, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Música, Cinema e vídeo, Escrever
MSN -



Histórico
13/12/2009 a 19/12/2009
06/12/2009 a 12/12/2009
29/11/2009 a 05/12/2009
22/11/2009 a 28/11/2009
01/11/2009 a 07/11/2009
25/10/2009 a 31/10/2009
18/10/2009 a 24/10/2009
11/10/2009 a 17/10/2009
04/10/2009 a 10/10/2009
27/09/2009 a 03/10/2009
20/09/2009 a 26/09/2009
13/09/2009 a 19/09/2009
06/09/2009 a 12/09/2009
30/08/2009 a 05/09/2009
23/08/2009 a 29/08/2009
16/08/2009 a 22/08/2009
09/08/2009 a 15/08/2009
02/08/2009 a 08/08/2009
26/07/2009 a 01/08/2009
19/07/2009 a 25/07/2009
12/07/2009 a 18/07/2009
05/07/2009 a 11/07/2009
28/06/2009 a 04/07/2009
21/06/2009 a 27/06/2009
14/06/2009 a 20/06/2009
07/06/2009 a 13/06/2009
31/05/2009 a 06/06/2009
24/05/2009 a 30/05/2009
17/05/2009 a 23/05/2009
10/05/2009 a 16/05/2009
03/05/2009 a 09/05/2009
26/04/2009 a 02/05/2009
19/04/2009 a 25/04/2009
12/04/2009 a 18/04/2009
05/04/2009 a 11/04/2009
22/03/2009 a 28/03/2009
15/03/2009 a 21/03/2009
08/03/2009 a 14/03/2009
22/02/2009 a 28/02/2009
15/02/2009 a 21/02/2009
08/02/2009 a 14/02/2009
01/02/2009 a 07/02/2009
25/01/2009 a 31/01/2009
18/01/2009 a 24/01/2009
11/01/2009 a 17/01/2009
04/01/2009 a 10/01/2009
28/12/2008 a 03/01/2009
21/12/2008 a 27/12/2008
14/12/2008 a 20/12/2008
07/12/2008 a 13/12/2008
30/11/2008 a 06/12/2008
23/11/2008 a 29/11/2008
16/11/2008 a 22/11/2008
09/11/2008 a 15/11/2008
02/11/2008 a 08/11/2008
26/10/2008 a 01/11/2008
12/10/2008 a 18/10/2008
05/10/2008 a 11/10/2008
28/09/2008 a 04/10/2008
21/09/2008 a 27/09/2008
14/09/2008 a 20/09/2008
07/09/2008 a 13/09/2008
31/08/2008 a 06/09/2008
24/08/2008 a 30/08/2008
17/08/2008 a 23/08/2008
10/08/2008 a 16/08/2008
03/08/2008 a 09/08/2008
27/07/2008 a 02/08/2008
20/07/2008 a 26/07/2008
13/07/2008 a 19/07/2008
06/07/2008 a 12/07/2008
29/06/2008 a 05/07/2008
22/06/2008 a 28/06/2008
15/06/2008 a 21/06/2008
08/06/2008 a 14/06/2008
01/06/2008 a 07/06/2008
25/05/2008 a 31/05/2008
18/05/2008 a 24/05/2008
11/05/2008 a 17/05/2008
04/05/2008 a 10/05/2008
30/03/2008 a 05/04/2008
17/02/2008 a 23/02/2008
06/01/2008 a 12/01/2008
09/12/2007 a 15/12/2007
04/11/2007 a 10/11/2007
28/10/2007 a 03/11/2007
30/09/2007 a 06/10/2007
22/04/2007 a 28/04/2007
01/04/2007 a 07/04/2007
04/03/2007 a 10/03/2007
25/02/2007 a 03/03/2007
11/02/2007 a 17/02/2007
28/01/2007 a 03/02/2007
29/10/2006 a 04/11/2006
24/09/2006 a 30/09/2006
03/09/2006 a 09/09/2006
13/08/2006 a 19/08/2006
06/08/2006 a 12/08/2006
30/07/2006 a 05/08/2006
23/07/2006 a 29/07/2006
16/07/2006 a 22/07/2006


Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
:: Blog do Jammil - Manno ::
:: Meu Orkut ::
:: Blog da Fernanda Rodrigues ::
:: Blog do Eri Johnson ::
:: Jacaré Banguela ::
:: Kibe Loco ::
Chongas