Profissionais
Já disseram que sou metido a "sabe-tudo". Até que já fui, mas aprendi que ninguém pode fazer tudo, pois acaba não fazendo nada bem feito e hoje em dia reconheço que deve ser cada um no seu quadrado. Respeito e admiro o trabalho de cada profissional, independente da área. Os bons profissionais tem que ser reconhecidos mesmo. As pessoas costumam querer se meter onde não entendem, às vezes acertam, outras complicam ainda mais. Carro, por exemplo. Todo mundo se acha mecânico. Não pode ouvir um barulho qualquer que já vai mexer ou querer advinhar o problema. Alguém já notou que a "correia" é uma espécie de "virose" do veículo? Se tem um barulho que não sabe de onde vem ou algo estranho com o carango, já dizem logo: _Deve ser a correia. Impressionante, não? Me lembra um médico olhando com a maior cara de pau, sem saber o que o paciente tem e dizendo: _Bem... Isso é uma virose.
Ah, foda-se. Não sabe, não enrola.
Ainda assim prefiro os profissionais. Recentemente meu carro apresentou um ruído estranho (não era a tal correia). Não faltou quem quisesse advinhar o problema, mas preferi levar para quem entendia e foi constatado que o óleo da direção hidráulica havia baixado. Bastou completar até o nível e o barulho sumiu.
Encanador, eletricista, pedreiro, pintor. Prefiro contratá-los, eu não sou o foda, eu não sei de tudo. Quando confio em um profissional costumo usá-lo como referência e mantenho uma certa fidelidade. Assim sou com o salão onde corto o cabelo. Desde a primeira vez que fui tive um tratamento excelente, onde a dona me atendeu pessoalmente e se interessou pela minha vida, e sempre que retorno ela lembra do que conversamos e pergunta pela família, assim como fala da sua. Hoje quando fui cortar, ela sugeriu que usasse uma tal de uma tesoura de "repicar", que na prática deveria diminuir o volume (tenho cabelo pra dar e vender, volume é o que não falta). Como confio no trabalho dela, mandei que fizesse o que achasse melhor, já que não entendo disso. Puta merda... Pela primeira vez me arrependi. A porra da tesoura realmente tira o volume, mas tira MUITO. Sabe um cachorro com sarna? Sabe um paciente de quimioterapia que começa a perder cachos de cabelo? Sabe um poodle mal-tosado? Exageros à parte, todos no departamento que trabalho riram sem parar quando fiz o comparativo, pois acabaram notando semelhanças. Mas ao contrário do meu salário, meu cabelo cresce, e da próxima vez já irei saber que se deve confiar no profissional, mas nunca devemos deixar alguém tomar decisões em nosso lugar, principalmente quando não sabemos qual será o resultado. É... Tudo na vida nos deixa uma lição. De um barulho no carro a um simples corte de cabelo.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 00h37
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As Flores do Mal
Escrever é uma arte. Eu gosto, passo horas pensando no que irei escrever, depois passo horas escrevendo e algum tempo revisando, mas algumas vezes encontro os textos prontinhos, exatamente (ou quase) o que eu estava pensando e gostaria de expressar. O caso mais comum é a música. Sempre escolho alguma pra falar por mim, seja sobre mim, seja sobre alguém que está ou alguém que passou. Foi assim com a de ontem e será assim com a de hoje. Entre passado, futuro e presente, mandarei "As Flores do Mal".
Eu quis você E me perdi Você não viu E eu não senti Não acredito nem vou julgar Você sorriu, ficou e quis me provocar Quis dar uma volta em todo o mundo Mas não é bem assim que as coisas são Seu interesse é só traição
E mentir é fácil demais Mentir é fácil demais Mentir é fácil demais Mentir é fácil demais
Tua indecência não serve mais Tão decadente e tanto faz Quais são as regras? O que ficou? O seu cinismo essa sedução Volta pro esgoto baby Vê se alguém lhe quer O que ficou é esse modelito da estação passada Extorsão e drogas demais Todos já sabem o que você faz Teu perfume barato, teus truques banais Você acabou ficando pra trás
Porque mentir é fácil demais Mentir é fácil demais Mentir é fácil demais Mentir é fácil demais Volta pro esgoto baby e vê se alguém lhe quer
Escrito por J. Marinheiro Filho às 12h22
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Felicidade
Cada um enxerga a felicidade de uma forma. Para uns, felicidade é estar com a pessoa amada, para outros, felicidade é ganhar na mega sena ou realixar todos seus sonhos de consumo, patrocinados por alguma quantia. Para mim, felicidade é isso. Não digo que estou em plena felicidade, pois falta minha filha para completar a festa, mas no restante eu posso dizer que finalmente me encontrei. Embora não tenha o salário dos meus sonhos, mas me encontro ocupando um cargo de extrema confiança e responsabilidade, que nesses últimos sete meses já passou pela minha mão mais de 4 milhões de reais em verba para ações promocionais e de marketing. Para uns, muita grana, para poucos, nem tanto assim. Sabe o que é felicidade? Felicidade é fazer uma campanha para determinado cliente e ser aprovada de primeira. É poder ver os pais acordarem cedo e sem discutir. É viajar em um carro apertado depois de 9 horas seguidas de trabalho e chegar ao destino com um sorriso no rosto. É achar o percusso Macaíba-Natal perto e fazer o trajeto três vezes em um dia, chegar em um determinado lugar, olhar uma certa pessoa e dizer _É... Vim te ver mas já vou indo, fica bem. É ficar na piscina até as 00:30 e nem sentir o frio que faz com que todos fora d'água se agasalhem. Felicidade é estar com os amigos, é lembrar os amores, é poder olhar o céu estrelado e em plena noite de sábado olhar pra cima e pensar: _Eu sou feliz! Felicidade é ter um celular mas não ter o compromisso de atendê-lo, dando férias para si mesmo da sexta até a segunda de manhã. Depois de um dia agitado, encerramos o sábado dentro da piscina, conforme falei há pouco. O alcóol, a conversa, a situação, a lua cheia... Tinha algo místico no ar, sempre tem. Posso comparar a fazenda em Macaíba como minha ilha de LOST. Lá tudo é possível, lá eu me sinto em paz, eu me sinto forte, me sinto capaz. Lá eu nunca dei uma "bola fora", nunca estive só, nunca me senti só. Os insetos, os sapos e as rãs. Os amigos, as bebidas e o churrasco. A piscina, o clima e o céu estrelado. Tudo ali foi colocaco propositalmente, cada detalhe está no seu devido lugar. Amanhã (segunda) eu deveria começar meu tratamento e queria repensar valores, conceitos, metas e planos. Até onde vale a pena se arriscar? O que vale mais, dinheiro ou saúde? Temos que saber pesar e conciliar vida e trabalho, diversão e arte, sonhos e realidade. Como tudo na minha vida, essa semana também será decisiva e de muitas novidades. Não sei como irei reagir ao tratamento (após passar por três especialistas, foi identificada uma ambliopia irreversível no meu olho esquerdo, o que traduzindo significa perda de visão que não pode ser corrigida com óculos ou cirurgia, pois o problema não é no olho em si, e sim, no cérebro que não "processa" as informações de imagens enviadas pelo olho. O tratamento, recém-desenvolvido e ainda em fase de teste consiste em oclusão do olho bom, para forçar o ruim a enxergar com administração de levodopa e carbidopa que estaria estimulando o cérebro a entender o que o olho capta. A levodopa era usada apenas no tratamento de pacientes com mal de parkinson, por agir como estimulador no sistema nervoso central. O tratamento é delicado e por tempo indeterminado, mas chega como única opção para doença considerada irreversível, então, só me resta arriscar), pois teria que me afastar da empresa por tempo inderteminado, mas acabei negociando horários e passarei a trabalhar apenas no período da tarde. Para minha área isso seria praticamente impossível, pois minha função requer dedicação integral, muitas vezes me fazendo largar depois das 22h, 23h e até 00h. Não tenho medo dos desafios, já passei por coisa muito pior e sempre volto mais forte do que antes. Registro aqui o início do tratamento e terei o maior prazer em, daqui a cinco semanas, quando serei reavaliado, falar da minha possível melhora. E felizmente essa doença apareceu em um momento que estou bem, tou tranquilo, tou feliz.
Agora sigo em frente em mais uma semana que se inicia, porque quando a semana estiver acabando eu estarei mais uma vez seguindo para Natal, onde me encontro e encontro tudo que eu preciso pra viver.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 22h09
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