The (my) book is on the table
É. Comecei a escrever sobre minha vida, parei. Comecei a escrever sobre um famoso, parei. Comecei a escrever sobre fim de relacionamento e tristeza, parei. Comecei a escrever sobre como ser feliz após um relacionamento, parei também.
Acho que agora vai, já decidi um formato real para meu livro, comecei os primeiros capítulos e não sei quantas páginas ele terá, porque sempre acabo resumindo e acabando antes do previsto. Não vou falar muita coisa sobre ele para que ninguém roube minha idéia ou perca o interesse em vê-lo pronto, mas posso antecipar que o tema é sério e o nome, um tanto quando irônico e provocador, tem a ver com seu conteúdo. Em breve, pelo menos nas minhas mãos, o livro "Joga a mãe".
Escrito por J. Marinheiro Filho às 23h11
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A voz do Brasil
"Em Brasília, 19 horas..."
Devido à visita do presidente Lula (que não contou com meu voto em nenhuma eleição) o trânsito do Recife amanheceu ainda pior. Não havia caminho livre, as principais vias estavam congestionadas, motoristas mal humorados, guardas de trânsito em todo cruzamento, um inferno (apesar que já enfrentei engarrafamentos bem piores mesmo sem nenhuma "personalidade" na cidade). Deixei o carro bem geladinho e coloquei uma música pra relaxar, não me restava outra opção. Cerca de 3 quadras do trabalho, já na Av. Domingos Ferreira começo a ouvir o barulho de sirenes. São várias. Estou na segunda faixa da direita (a av. é dividida por um canteiro, ficando três faixas para cada lado). Pelo retrovisor eu consigo ver pelo menos uns dez batedores da polícia fazendo aquele gesto típico de quem quer abrir o trânsito. Em pouco tempo já são mais de vinte, todos formando um corredor que dá passagem para uma pick up (não lembro o modelo ou marca) e em seguida o carro (um omega, importado e provavelmente blindado) do presidente segue em alta velocidade, seguido bem próximo de um corolla (com uma sirene), que está com os vidros baixos com seguranças particulares do Luiz Inácio. Ainda seguem alguns carros na comitiva. Eu entro à direita e me distancio deles. Só uma coisa me vem em mente: _O que se passa pela cabeça daquele homem? Alguém simples, que veio de uma realidade fudida, totalmente diferente da que ele vive. Hoje em dia ele é cercado de toda segurança, mordomia e protocolos, sem falar que as principais decisões de uma nação são tomadas (deveriam ser) por ele e que o povo humilde e trabalhador, como ele afirma ter sido um dia, deposita ali toda sua fé e esperança. Não simpatizo com o PT, não voto nem votaria nele, mas sinceramente eu gostaria de sentar ao lado daquele que nada fez e tanto conseguiu e hoje em dia é motivo de estudos e pesquisas por todo mundo, um verdadeiro fenômeno de popularidade. Eu adoraria saber do Lula como ele se sente dentro do seu veículo blindado, sabendo que lá fora tem pessoas se descabelando para acenar, dar um abraço, tirar uma foto, pegar um autografo ou pelo menos olhar pro presidente. Como ele se sente? Como ele se sente? Alguém que anos atrás não tinha sequer o que comer e hoje em dia movimenta milhões. Como se sente alguém que passou por todos os problemas que nem sempre (muito mal, diga-se de passagem) se propõem a solucionar? Um dia ainda conversarei com o sr. presidente, e indagarei sobre sua visão, agora que deixou de ser povo e passou a ser o poder. Seus ideais políticos, seus sonhos, onde estão? Como ele se sente? Como ele se sente?
Indo almoçar eu cruzei mais uma vez com a gigante comitiva.
Se não bastasse, agora no início da noite fui convidado a fotografá-lo ao lado dos membros da Base Aérea do Recife, no momento em que ele deve embarcar para Brasília ou qualquer outro destino, por volta das 20h45. Felizmente arrumamos um substituto para mim e um outro fotógrafo irá fazer o tal clique. E quanto às minhas perguntas? Um dia eu farei todas.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 19h45
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