Ao mestre, com carinho.
Todo mundo tem um (ou vários) professor(es) que contribuem de maneira significativa para sua formação Não tive muitos, mas tive bons professores, verdadeiros mestres que eu lembrarei pra sempre. Poderia começar citando a professora-estagiária de história, a Viviane. No meu primeiro ano do antigo segundo grau (ensino médio) ela apareceu para substituir o então professor e, de cara, conquistou à todos. Virou amiga das "meninas" e "sonho de consumo" dos rapazes. Seus cabelos pretos e longos, seu belo sorriso e seu corpo bem desenhado fazia dela uma verdadeira delícia. Sem contar que ela completara 19 anos naquele semestre.
Saindo da fase hormonal e voltando pra racional, a professora Antonieta Rocha está entre as 10 mais. Embora eu já tivesse saído da época de chamar professora de "tia", pois entrara na quinta série do ensino básico (antigo primeiro grau), mas era assim que eu a considerava, e quando meu pai passou pro problemas de saúde ela se mostrou uma pessoa de coração e caráter ímpar e me ajudou a ter tranquilidade e focar nos estudos, sendo a maior responsável pela minha aprovação naquele ano (sétima série). Nos tornamos amigos e ainda hoje em dia eu mantenho contato com ela.
Da quinta para a sexta série eu conheci aquele que se tornaria meu ídolo. Seu nome era Orley Mesquita. Paraibano, Orley era poeta e nos dava aulas de literatura. Creio que no ano de 2005 (não tenho certeza sobre o ano) eu estudava na Sexta Série "C". Quase que diariamente nós ficávamos sem recreio por conta do mal comportamento da turma, fomos eleito a pior turma dos últimos 25 anos do colégio, a pior da gestão da atual diretoria. Modéstia à parte eu era uma das poucas exceções que queriam aprender algo, e se brincar, o único que gostava de literatura. Orley já passara dos 60 anos e enfrentava problemas de saúde (depressão, pressão, coração...) sua aula era fantástica, além de passar o conteúdo didático programado pela instituição de ensino (Liceu de Artes e Ofícios de Pernambuco - UNICAP), ele sempre declamava um poema de algum mestre ou de sua autoria. A maioria da sala ria dele, menosprezava, colocava apelidos. Era verdadeiramente humilhante pra ele. Aquilo sempre me incomodava e eu fazia questão de demonstrar pra ele que eu me importava com ele, que eu gostava de suas aulas e o admirava como pessoa. Foi nessa época que me aproximei mais da Mércia, a garota que tinha o mesmo nome da minha mãe e que também era contra o modo hostil que ele era tratado. Uma determinada vez meus então colegas de classe passaram do limite, foi demais pra ele. Incapaz de proferir qualquer palavra inadequada à turma, o professor, com a voz engasgada e os olhos cheios de lágrimas falou apenas que não merecia ser tratado daquela forma e que os poemas que ele declamava era na intenção de levar mais cultura e paz para seus alunos. Ele falou de maneira educada, nem sequer aumentou o tom de voz mas aquilo soou mais alto que um grito e todos sentiram, naquele momento, o peso da responsabilidade e da merda que estavam fazendo. Notei que Orley não estava bem e me aproximei no momento em que ele sentiu uma tontura, apertou forte seu próprio pulso e em seguida tentou se segurar para não cair. Nunca que aquilo poderia ser encenação, e ficamos bastante preocupados com ele. Conversamos um pouco com ele (eu e a Mércia) e ele nos agradeceu a atenção. Dali em diante as suas aulas transcorreram na maior paz. Quem não queria assistir ou não se interessava apenas ficava fora da sala ou então ficava quieto em seu lugar. Eu sempre ficava após as aulas para buscar conhecimentos, indicações de livros ou apenas ouvir histórias daquele que eu tanto admirava. Orley morava na histórica rua Sete de Setembro em pleno centro do Recife, morava com seu neto, Getúlio, que estudou com minha irmã e no ano seguinte, comigo. Ele tinha caráter e educação tradicional mas nunca foi careta. A sua casa passou a ser um verdadeiro QG dos jovens do colégio. Muitos filmes foram assistido em seus sofás, muitas aulas vagas foram ocupadas em happy hour na sua sala e até algumas moças foram defloradas no auge de nossa adolescência. Casais se formaram e se acabaram no QG. Ele sempre aconselhava a não fazermos besteiras, mas respeitava o nosso espaço e enquanto ele não tava em casa é que a farra rolava solta. Nenhum outro professor tinha conhecimento do que ali se passava. Nunca rolou drogas os orgias, mas grande parte da minha turma teve os melhores momentos de sua juventude ali. Getúlio era um conquistador, tipo garotão ele era dinâmico mas não era de confusão, não me recordo de nenhuma briga que ele estivesse envolvido ao longo de todos os anos que estudei lá. Pouco depois da morte de Renato Russo, que cantou com sabedoria "_É tão estranho, os bons morrem jovens, assim parece ser quando me lembro de você e de tanta gente que se foi cedo demais..." Getúlio e alguns amigos nossos estavam indo encontrar o restante da turma que estava em um barzinho próximo à Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) quando um delinquente roubou o relógio de um colega nosso, mesmo sem gostar de confusão Getúlio se uniu ao restante do pessoal que corria atrás do ladrãozinho e o pegaram em frente o Colégio e Curso Alpha, empurra daqui, empurra dali, o meliante bateu com as costas no retrovisor lateral da BMW do dono do curso que ao ouvir a confusão e ver seu retrovisor no chão, sacou o revólver e atirou contra meus amigos. Bastou um tiro para acabar com a vida de Getúlio. A bala perfurou o coração e ele morreu antes mesmo de ser socorrido. Orley começava a morrer aos poucos, ele nunca mais teria saúde depois dali. Ele perdia seu neto, seu filho, seu amigo e companheiro. As festinhas em sua casa não teriam mais o mesmo ritmo. Ir para lá era lembrar e sofrer pela ausência de Getúlio, um velório por dia. Nos meses que passaram vimos o quando o poder corrompe, pois mesmo acusado e com provas, o assassino deu entrada no habeas corpus preventivo para que não pudesse ser preso. No decorrer do processo foram descobertos outros crimes e processos. De aliciamento de menores à tráfico de drogas, de assassinato à necrofilia, crimes ediondos. A então Deputada Luciana Santos (que posteriormente seria eleita e reeleita prefeita de Olinda) abraçou nossa causa e brigou conosco. Da Câmara à Assembléia, do Palácio do Governo ao Tribunal ela nos acompanhou em tudo. O assassino foi absolvido e a justiça nunca foi feita, mas tivemos total certeza de termos feito a nossa parte. Se passaram alguns anos, eu encontrei Orley poucas vezes após concluir meu ensino médio mas sempre buscava notícias suas, até que em 2006 tive a fática notícia de seu falecimento. Nunca pude me despedir dele nem falar da minha vida. Nunca pude dar um texto meu para que ele revisasse, mas tenho certeza que ele sempre soube da importância que teve para minha formação. Me emociona lembrar dele. É até estranho explicar de onde surgiram essas lembranças, mas assistindo a novela A FAVORITA eu vi em Gonçalo, personagem de Mauro Mendonça um pouco de Orley, seja no seu modo centrado de ser ou nas pontadas que sentia no coração, pois a cena em que ele passava mal me lembrou muito o episódio da sala de aula, e por isso resolvi colocar minhas lembranças no papel.
Poema biográfico (Orley Mesquita)
Minha vida sou eu de lado a lado. Se olho uma flor de meu jardim Um gato reinventa-se no telhado.
Quando a lua me deixa embriagado, Cerro os olhos de nojo e sofrimento. Visto meu terno branco, hoje cinzento, E vou-me divertindo como o diabo.
A noite do que fui deixou-me cego; Nem me restaram versos a rezar. Cubro meu rosto de jóias impossíveis E bebo geometrias do sonhar.
Faço contas. Passo tudo a limpo. Varro o chão de vidro do pesar. Embriaga-me o fruto adormecido E sou meu próprio sangue: sou o mar.
Prego bandeiras de papel carbono Datilografo o nome a rasurar. Corrijo o verbo, penso esquecimentos, E refeito de mim vou-me deitar.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 17h15
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Vai se fuder...
Recife é um ovo, isso é fato, mas daí a o Nordeste ser um ovo já é demais. O carnatal reúne mais de um milhão de pessoas, cada uma por um motivo mas todas querendo se divertir. Além de ser uma multidão nas ruas ainda são vários blocos, camarotes, pipoca... Mesmo pra quem está no mesmo bloco tem que enfrentar pelo menos 5 mil pessoas. É até fácil você procurar uma pessoa em um determinado bloco e não achar. Até aí tudo bem, é compreensível. O que eu não entendo é como que param logo NELA . Puta merda, velho... Volta pra tua cidade, volta pra tua vidinha, volta pra tua namorada. Não sei. Aqui se faz e aqui se paga. Enquanto o carnatal é a diversão e felicidade pra muitos, pode ser o carrasco de outros, reservando uma surpresa a cada ano. Mas porque com ela? Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar e eu posso ter errado em uma das minhas escolhas, mas não em todas. Uma hora eu teria que acertar. Não gostei de saber que o destino continua me testando, mas gostei de saber o final dessa outra história. Entre encontros, desencontros e despedidas, que prevaleça o que for de verdade. De uma forma ou de outra isso nunca vai mudar. O que é, é, e sempre será.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 23h34
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Carnatal \o/
Na quarta-feira FM soube que não teria mais convite pro Skol Beats, o que o fez desistir de ir. Carlinhos também havia desistido da viagem por motivos pessoais e Segundinho também não iria mais devido outros problemas. Mesmo sozinho mas eu pretendia ir ao carnatal, mas na quinta-feira pela manhã eu já tinha minhas dúvidas. A noite anterior tivera sido péssima e meu humor estava na lona, mas, vamos em frente. Após anunciar minha desistência, começamos a conversar sobre os eventos passados e a vontade foi aumentando. Não era só a micareta que me levava à Natal, uma certa pessoa e uma certa despedida me impulsionava ainda mais. Faço alguns contatos e alguns telefonemas depois eu garanto duas senhas para camarotes e já no final da tarde da quinta-feira estou combinando com FM como seria a viagem. Temos bastante o que resolver. A noite seguinte é bem mais tranquila e assim que amanhece eu acordo para fazer a mala, a barba e resolver outras coisas. O expediente na agência é bastante tranquilo e saímos uma hora antes do horário. No meio da viagem ainda acabamos desenrolando mais dois camarotes pro Skol Beats e resolvemos então ficarmos todos juntos (já os que eu havia desenrolado eram da Rota). Após algumas compras, paradas estratégicas e uma estrada ruim, chegamos em Macaíba já na madrugada do sábado. O caseiro está à nossa espera e enquanto Mirella organiza as coisas e eu FM resolvemos "tomar umas" para dormir melhor. Após a bebedeira um lanche é bem recebido e então é hora de deitar. Pra minha surpresa a internet funciona e ainda vou passar algum tempo no msn. Mais uma vez eu pego no sono enquanto aguardo uma resposta e acordo as 7 da manhã com um começo de ressaca. Um passeio pela fazenda é bom para despertar. Somos interrompidos por ataque de maribondos que acertam o dedo de FM em cheio. Voltamos para tomar café da manhã. Seguimos para Natal. Antes das 9 horas já estamos na capital. Nos dirigimos até a Rua Mossoró para que eu possa pegar minha credencial no escritório de assessoria do evento. Acertando e/ou errando o caminho acabamos passando 3 vezes na frente da Oi/Telemar onde paramos o carro enquanto ligamos para alguns amigos. Seguimos para a casa de Laryssa. O morro do careca é o próximo destino. Após passarmos um tempão para conseguir uma vaga de estacionamento, finalmente paramos para algumas fotos e bancamos os turistas. Pollyana liga e chamamos ela pra vir com João Paulo, eles ficam na dúvida mas acabamo pegando estrada já depois de meio-dia. Mais alguns telefonemas e seguimos para Jenipabu. Para quem começpu na cerveja às 8h30 da manhã a essa altura tudo já é festa. Mais fotos, mais amigos e muito mais cerveja. Pelas minhas contas nós saímos de lá depois das 15h30 porque lembro (superficialmente) de termos parado no hotel que o restante do pessoal estava (Sérgio, Patrícia, Manoel, Natália, Brito com a esposa e filho, Felipe, Henrique...) e depois me acordaram já na casa de Laryssa avisando que passara das 19h. O banho cai como uma luva e em pouco tempo já estou jantando e saímos para a avenida. A essa altura Pollyana e João já chegaram, assim como o restante dos caras. Como não aparece nenhum táxi e já passam das 20h, pegamos um busão (microônibus que aqui em Recife seria chamado de geladinho). Parte vai para o camarote da Athletica, parte para o Skol Beats, levo Polly e J.P. para o da rota onde ainda fico um tempinho. Os blocos passam e Jammil se aproxima. Caralho, carnatal e Jammil são as duas melhores coisas do mundo e juntas então... Subo no trio e fico por lá parte da primeira volta já que resolvo descer em seguida para o Skol Beats. Chegando lá a galera está bem depois de pra lá de embreagados e eu não demoro muito para alcançá-los. Fotos, fotos e mais fotos. Minha máquina não me abandona em lugar nenhum nem mesmo quando tenho que atravessar a multidão com o case na mão. Já estamos por lá há mais de 6 horas. Jammil entra no corredor para a segunda volta e lá vou eu novamente onde fico até encerrar o show deles. Falo com o pessoal, rolam mais fotos e volto pro camarote. Altamente ébrio ainda tenho forças para colocar as fotos no orkut quando chego em casa. Deito as 5h30 e levantamos as 8h00. Após o café-da-manhã nós seguimos para um restaurante na orla da "Praia do Cotovelo" (ou algo assim) e a cerveja é para tirar ressaca. Funciona. Turistas com espíritos de gordos é o que somos. Saímos do restaurante e vamos... COMER. É, paramos no Midway para "almoçar". Após o banho seguimos para o último dia do evento. Com excessão dos 4 solteiros que vão pro camarote da Athletica, dessa vez todos seguem pro Skol Beats e eu vou para o bloco Cerveja e Coco (Asa de Águia) para procurar uma amiga. Ela eu não encontro, mas Júlia me encontra e a festa é grande. A próxima parada é o camarote de Zé Bonitinho. Todos estão lá inclusive Maurinho (quem o conhece sabe o que tou falando). Ao entrar no Skol Beats vejo o trio de Jammil ao qual prontamente eu subo. Sigo pro camarote da Athletica. Me junto à turma e conversamos e bebemos mais um pouco. Ainda rolam mais fotos e vou pro bom e velho Skol Beats onde fico até a próxima volta do Jammil. Funk, House, Dance, Axé... Rola de tudo e dançamos tudo. Ainda estou comemorando o título do meu São Paulo e interago com todos torcedores e torcedoras do tricolor paulista. Lá vem o trio e lá vai Marinheiro. Mais uma vez eu vou até o final do show e ainda trago a baqueta como recordação para uma pessoa muito especial. Já estamos na madrugada da segunda-feira e depois de mais um tempo no Skol Beats seguimos para casa. O nerd aqui ainda entra mais uma vez no msn e só vai dormir depois das 5 novamente. Acordar as 9 horas da segunda-feira não foi ruim, o ruim foi pensar que tudo aquilo tinha acabado e mais de 300km de distância separava a emoção do final de semana com a realidade do dia-a-dia. Saímos por volta de 10h30 e paramos em João Pessoa para almoçar no Mangai. Sobre o encontro ou desencontro com a pessoa especial eu não vou comentar, cada um que imagine o que quiser. Levando-se em consideração que mudamos os planos diversas vezes durante a viagem tudo que fizemos foi melhor do que se tivéssemos combinado com antecedência e esse foi, sem dúvida, um dos melhores carnatais da minha vida (é o nono ano que vou). Desde o "De volta para o Futuro", onde um carro surge do nada e vai pro nada quando estamos a mais de 120km/h e não notamos sua aproximação e em fração de segundos ele desaparece (só não deixou o rastro de fogo) às placas "Preserve a Natureza - Não atropele os animais" que FM diz: _E eu ia bem dizer: Olha a capivara! e atropelar ela... Pérolas não faltaram. O pato que FM estava criando quando ainda estávamos em Recife; o maribondo; o chuveiro conta-gotas; a bola de encher que estava secando; a coca-cola em lata que custou R$ 10,00; a cerveja borbulhando no banco do carro; o pessoal da ambev; a queda na praia; o medo da lei seca (lei seca?); Maurinho no carnatal; e muito mais... INCRÍVEL!!! O bom é ver que tem gente que tenta te derrubar mas só te fortalece. Do caralho ouvir o "_Fala, Marinheiro" de Manno Goes, em cima do trio. O que Gustavo (Jammil também) me falou foi exatamente o que eu previa, mas como não cheguei aqui por acaso não é o acaso que vai me tirar. Estive exatamente com quem quis estar e fiz quase tudo que queria fazer.
E pra ela: _Boa viagem, tá? Se cuida, aproveita por mim e não esqueça que eu te amo.
Música que marcou o (meu) carnatal: "Quando eu te der um sorriso, cê me dá um beijo... ...E vai beijando a minha boca, tirando a roupa, como se fosse a primeira vez... ...Tá com medo de amar, é? Tá com medo de amor, e aí?..."
Escrito por J. Marinheiro Filho às 08h06
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