Carta à Papai Noel
Papai Noel,
Faz um tempinho já que não te escrevo, até mesmo porque haviam me convencido que o sr. não existia, então não justificava escrever em vão. Ontem fiquei surpreso e cheio de esperanças quando vi em um grande portal (globo.com) que seria possível seguí-lo e acompanhar sua viagem na noite natalina através do google earth. Fiquei feliz pra caralho, pois a tecnologia iria me permitir pela primeira vez comprovar sua existência e, de quebra, ainda mostrar em qual lugar do mundo o sr. estaria naquele momento. Empolgado com a notícia eu fiquei esperando o momento em que meu presente chegaria e demorei a dormir. A internet estava bem rápida, mas preferi não acompanhá-lo pelo tal programa, pois a surpresa seria melhor. Dormi tarde pra cacete e acho até que sonhei com meu presente, me imaginei acordando com o chorinho de bebê ou então com a risada mais sapeca de quem viu o papai (nesse caso o papai sou eu, tá?). Acordei, procurei pela casa toda e não vi nada. Só não fui até a lareira porque aqui não há, mas até debaixo e atrás da árvore eu procurei e nada... Porra, velho. Tudo bem que eu não fui 100% bom esse ano. Eu confesso que menti (quando disse que não queria mais), cometi o pecado da gula, cobicei a mulher do próximo (na verdade, algumas, mas não fui o único culpado, todas quiseram!), bebi um bocado, enrolei no trabalho, cometi luxúria, avareza. Senti ira, ódio. Pulei em cima de um carro, fui vingativo. Mas tive motivo pra tudo e até pra mais que isso. Por outro lado eu ajudei muita gente, fui fiel, gentil, educado. Ajudei velhinhos, crianças, mendigos. Consolei quem precisava, tive paciência com quem não merecia, perdoei. Esse foi o ano que eu mais amei, amei minha família, minha filha, amei meu amor, amei meus amores. Amei até quem não merecia. Sinceramente eu acho que deveria ter ganho o meu presente, pois é meu de fato e de direito, e não é justo que ninguém à tire de mim. Realmente não dá pra confiar em quem invade as casas pela chaminé com a desculpa que vai levar presentes. Presentes? Sei... E as jóias que somem? Quantas empregadas domésticas não foram demitidas depois do natal acusadas de roubo? O sr. pode até não ser o autor do crime, mas aqueles seus ajudantes são meio suspeitos mesmo. E essa história de sair por aí voando num trenó puxado por renas voadoras. Ah, não fode. Ano passado eu fiquei sem presente a a culpa foi do caos aéreo, dos problemas em congonhas, da falência da Varig. Falaram até em overbooking de presentes no trenó e por excesso de peso o meu não pôde embarcar, é mole? Mas fiquei tranquilo, porque o que eu queria mesmo estava bem perto de mim, protegida por placenta, pele, músculo, ossos e por mim. Meu presente estaria em minhas mãos em 22 de abril, e não em 24 de dezembro. Mas porra, e esse ano? Eu merecia, velho. Na moral. Tu só fica dando presentes à crianças. Tá feito Michael Jackson, é? Eu te processo por aliciamente de menores, se ligue. Quero só ver a Coca-Cola te tirar dessa. Não me importo de receber o presente no dia, pode me dar depois. Desculpa pelas palavras ásperas, é que sou muito explosivo mesmo. Vê aí, me ajuda que eu desenrolo uma ajudante bem gostosa pra você. Sabe como é, né? Trabalho em agência de promoções e eventos e lá tem altas promotoras cadastradas, pelo menos umas 400, não é possível que nenhuma goste de um homem digamos que mais experiente. Aguardo contato e se for me adcionar no orkut, deixa scrap antes.
Abraços,
Marinheiro
Escrito por J. Marinheiro Filho às 16h49
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Escrevendo
Queria fazer algo produtivo nesse natal não convencional. Acordei cedo, acabei adiando um pouco a viagem de negócios e caí na piscina. O sol tava foda, muito quente mesmo. A água tava boa, bem geladinha, assim como a cerveja. A minha paciência é que não estava das melhores. Fui tomar um banho demorado e em seguida uma taça generosa de sorvete. Eu queria escrever. Mas sobre o quê? Não podia ser um texto pra encher lingüiça, eu não sou obrigado a publicar algo todo dia, pois não tenho coluna diária em jornal, revista ou qualquer periódico. Escrever pra mim é um passatempo, não uma obrigação. Mas eu ainda queria escrever... Pensei em tudo que passei e tou passando, mas não queria escrever um texto triste, deprimente. Lembrei de natais passado, mas não queria ser saudosista. Imaginei como queria esse natal, mas não queria ser sonhador. Pensei em relatar algumas memórias recentes de pessoas dementes, mas não queria ser agressivo. Vi o álbum de fotos de uma mais-que-amiga em viagem, mas não quis ser romântico, ela não ia gostar. Política, sexo, futebol, drogas, família. Pensei em tudo, nada me convenceu.
Então tomei uma decisão até sensata: Vamos ao meu livro. Eu não precisava escrever no blog hoje, eu poderia dar andamento ao meu maior projeto de palavras, o "Joga a mãe" e dei início à minha pesquisa. Meus pais continuavam na piscina com uma música de fundo, o dia seguia tranquilo. Meu pai é a pessoa mais eclética musicalmente falando pois gosta de coisas da sua época, mas também aprecia um som mais contemporâneo. Temos até alguns gostos em comum. Ele vai de Julio Iglesias à Roberto Carlos (pra mim, a mesma coisa, só que eu prefiro o segundo), de Amado Batista à Mozart, de Calcinha Preta à Chopin. A primeira vez que ouvi música clássica foi enquanto revirava seus CDs. Achei muita coisa interessante e mais ainda que eu nunca compraria ou escutaria. O som rolava em um volume suportável fora da minha casa com a trilha sonora de alguma novela (Duas Caras, sei lá) quando o CD acabou e ele foi mudar. A medida que o alcóol entra no organismo o poder auditivo diminui e o volume do som tem que ser aumentado. Como diria Renato Russo: _E agora, o que vem? Puta merda... Não acreditei quando ouvi os primeiros solos de guitarra de... de... de... Chimbinha! Isso aí, o CD que começara era o da Calypso. Foi mais forte que eu quando olhei pro meu pai e disse: _Tudo bem que o natal já tá uma merda, mas também não precisa foder com ele de uma vez! Após falar é que pude perceber o teor das palavras. Não precisava de tanto. Or not! Foi só o tempo dele voltar para a piscina, refletir e voltar para trocar o CD. Acho que sua consciência pesou. Não que não goste de Chimbinha ou da banda Calypso, muito pelo contrário. Não sou fã (nem perto disso) mas tenho uma forte admiração à Chimbinha que foi um dos melhores chefes que já tive (para quem não sabe, em 2006 eu fui contratado por ele para coordenar toda criação visual do Grupo Calypso - gravadora, produtos licenciados, fã-clubes, web, revistas e impressos, etc, o que me deixava numa rotina de 15 em Recife e 15 dias em São Paulo. Época maravilhosa na minha vida, tanto pelo lado profissional e financeiro quanto pessoal. Eu amo São Paulo, adoro aquela merda poluída e com trânsito caótico. Ainda volto a morar lá) e os shows da Calypso são incríveis. Super produção, energia foda, foda mesmo e público que não pára um segundo sequer, à exemplo de Joelma que tem um condicionamento invejável à muitos atletas. Não sei se pelo natal não convencional, se pelo sol que poderia estar matando seus neurônios ou se pelo alcóol ingerido mas meu pai continua com um gosto duvidoso e troca o CD da Calypso por um de Adilson Ramos. Tudo bem, não reclamei mais. Adilson é um amigo e ídolo que carrego pra vida toda, e assim como ele, sua esposa e filhos sempre tiveram total consideração por mim e família (inclusive nos momentos difíceis enfrentados no meio desse ano). Eu realmente gosto das suas músicas, só não acho que combina com sol e piscina, mas, resolvi deixar cada um escutar o que quiser. A concentração já foi pro saco e meu livro deve demorar mais um pouco, mas mesmo assim hoje ainda quero escrever alguns capítulos e dar uma boa adiantada. Quanto aos próximos CDs escolhidos, só Deus sabe o que virá. Peço que meu anjo da guarda seja generoso e ajude meu pai na escolha dos próximos.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 13h21
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Assalto, maykoff, casamento e outras coisas mais...
Volto no tempo para a quinta-feira passada. Era um pouco mais de 20h quando saímos da sede da empresa (eu, os donos e o filho deles), pois estávamos desde antes das seis em nosso happy hour, como já citei e aqui, e estávamos cansados, de boa e com outros compromissos. Ao sair, encontramos com Renan e Tiago que acabaram de descer do anexo, encerrando assim o expediente da Claro. Os demais vão embora e ficamos nós três conversando, eu, abrindo meu carro para guardar o notebook e outros pertences; Tiago abrindo seu carro que está ao lado do meu e Renan conversando conosco. Resolvo ir embora, entro no carro e dou partida. Tiago faz o mesmo e Renan se dirige até o seu automóvel, que encontrava-se um pouco à frente do nosso. Passo por ele e vou embora. Antes que Tiago pudesse partir, assistiu de camarote quando quatro homens abordaram Renan e levaram seu carro, noteboook, máquina digital, carteira, celular, relógio. Até a aliança pediram. Ambos ficaram nervosos com o ocorrido mas Tiago estava em verdadeiro estado de choque. Renan pegou uma carona com ele e foram prestar queixa. Alguns dias depois o carro dele foi encontrado. Obviamente que já sem som e outros acessórios. E pensar que os ladrões estavam esperando o primeiro a vacilar e o último a entrar no carro. Pensar que poderia, facilmente, ter sido eu o assaltado. É uma pena, mas meu notebook agora vai virar desktop e mal sairá de casa.
Há algum tempo atrás rolou a confraternização da Coca-cola onde uma das atrações (sic) era a banda (sic) Mr. DUC, formada por funcionários da empresa sob o comando do baterista Ulisses, que é "apenas" o Diretor Comercial da CC. Além de ter obrigado os funcionários a aguentarem a sua apresentação por mais de uma hora ainda quiseram levar aquele show traumatizante para quem ali não estava e gravaram um DVD. Aí é onde entro. Me solicitaram que fizesse uma capa para o DVD da banda (sic). Após conseguir um milagre e fazer uma capa que parecia ser de uma banda de verdade, recebo o disco editado e vou ver. Quanto ao show eu nem vou comentar. Eles podem ter boa vontade, dedicação e qualquer coisa do mundo, mas o talento passa longe deles, coisa tipo recife-nova zelândia. Não dava pra assistir, não dava pra ouvir. Mas, voltando ao título, o mais bizarro do DVD é que logo na abertura aparecia a seguinte palavra: MAYKOFF. Demorei um pouco para entender. Pensei que fosse nome de vodka, parecia o nome de uma banda, aí então foi quando percebi que o editor que contratamos não sabia escrever making of e resolveu tentar sozinho. Puta merda, foi bisonho!
Domingo. Domingo é o dia da preguiça, mas domingo passado tive que acordar bem cedinho, fazer a barba, tomar banho e café da manhã, me organizar, colocar o terno, fazer o nó da gravata e seguir destino à igreja de Poço da Panela (Casa Forte, em Recife). Não é o primeiro casamento que vou após sair de um, recentemente até comentei aqui sobre um que fui com Ilanna, Mendonça e companhia. Aquilo eu nem considero um casamento, e sim, um puta evento (social e de entrentenimento) pois além das DJs ainda rolou show de Jammil só pros convidados, Johnnie Black e Möet Chandon. Os motivos que me levaram ao casamento de Tiago e Karla foram outros, bem diferentes. Domingo eu acompanhei cada passo, cada momento. A ansiedade do noivo, a chegada dos padrinhos, o atraso da noiva e da mãe da noiva (sempre a porra da sogra), a cerimônia religiosa, as crianças, o sim, as alianças, o beijo, o brinde, o bolo, a festa, a valsa... Não foi o status ou o buffet que se destacou, o que mais atraía minha atenção era o amor entre o casal, a cumplicidade dos noivos. Não vou mentir que quem olhasse o vídeo do meu casamento de ilusão também teria a mesma impressão, até porque ilusão é ilusão e pode enganar à todos que observarem, mas neles eu vi algo a mais, eu vi sinceridade. Eu vi a sogra falar com carinho sobre seu genro; eu vi a cunhada torcer e ficar feliz pela irmã; eu vi a família comemorando a união pelo amor dos dois, e não pela soma do patrimônio ou das oportunidades de viagens e negócios que eles representavam; eu vi tanta coisa... Eu vi que quando se ama de verdade o resto é apenas detalhe, tudo são detalhes que podem ser adptados, moldados, refeitos. Por várias vezes eu estive triste, me lembrei de tudo que passara naquele quinze de junho de dois mil e sete, um filme se passou pela minha cabeça, mas não foi um filme com final feliz, e sim, um daqueles que o herói morre no final e o mal prevalece. O whisky já perdia o sabor, o sol perdia a cor e eu só queria estar em casa, no meu lugar, quieto e só.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 08h53
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Casamento
Fui à um casamento na manhã desse domingo (que se estendeu até o final da tarde) que me deixou cheio de pensamentos. JURO que eu queria escrever sobre isso. Já já, se eu melhorar, eu escrevo. E viva o johnnie black.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 19h51
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