A conquista improvável
Não importa quando será nem a naturalidade da noiva, mas meu próximo casamento TEM que ser em Natal. Aquela cidade é mágica, na moral (esse mágica soou um tanto quanto gay mas tá valendo...). A cerimônia e festa só não serão lá se forem em outro país. Após relatar diversos romances, encontros, despedidas, paixões, amores e tudo mais que tiver a ver, ainda tem uma história que nunca citei, portanto, vamos lá!
Podemos voltar no tempo valendo, coisa de seis ou sete anos no mínimo. Estamos no carnatal (eu, Almir e banda) no hotel Imirá Plaza ou Vila do Mar (talvez ainda o Pirâmide), não tenho certeza. Lá também está a banda Chiclete com Banana com uma convidada. Com o perdão da palavra, sabe aquele tipo de mulher "arraza quarteirão", a popular GOSTOSA? Então... assim era ela. Morena linda, corpo perfeito, curvas acentuadas e um jeitinho patricinha-sem-frescuras, sabe? Uma mulher de gosto refinado e gestos simples. TODOS no hotel voltaram os olhares pra ela. Na piscina então era impossível não perder a concentração. O que ela tinha de linda ela tinha de intrigante. O que fazia uma mulher daquelas acompanhar uma banda de axé? Muito se passou pelas nossas cabeças, pois ela podia ser da família ou simplesmente uma piriguete dos músicos. Passamos três dias compartilhando os mesmos ambientes no hotel e não trocamos uma palavra sequer. Eu olhava pra ela todo o tempo. Perdi a conta de quantas vezes dei aquelas famosas "encaradas", ela tinha notado, não era possível que não! Com todos motivos para NÃO me aproximar (ela era linda, patricinha, gostosa, popular, estava na companhia de Bel e sua banda e eu, além de magricelo, liso, desconhecido, com cara de pirralho e tímido), obviamente eu não me aproximei.
Na manhã da segunda-feira após o carnatal, enquanto aguardava o restante do pessoal da banda fazer o check out eu resolvi checar meus e-mails e me dirigi até a lan house do hotel que ficava próxima à recepção. Comprei o cartão de uma hora (os computadores possuíam um sistema que você inseria a senha que vinha na raspadinha com o tempo que você havia comprado e após o término do seu tempo ele travava e aguardava a nova senha) e fui lá. No momento que vou me aproximando da sala consigo ver pela parede de vidro que o tempo dela acabara e ela se dirigia até a saída, o que me faz segurar a porta para que ela saísse enquanto eu entrava. Ela agradece e vai embora.
Uma idéia tosca me ocorre e vou até o PC que ela havia usado. Após inserir a senha minha suspeita se confirma e vejo o login dela no msn que ainda encontra-se na tela principal, mas sem sua senha, claro. Anoto em um papel o seu e-mail e faço meu login. A dúvida sobre adcioná-la não dura nem dois minutos e lá estou enviando o convite para o msn dela, só me resta aguardar.
Quatro ou cinco dias depois, já de volta à minha realidade eu vejo uma janela se abrir no msn com a seguinte pergunta: "_Quem é você?" E para minha total surpresa era aquela garota que falava comigo. Eu não tinha outra opção que não fosse explicar quem eu era e como havia conseguido seu msn. Ela sorriu de toda a história, elogiou minha destreza e começamos a conversar, isso era ainda o mês de dezembro. Aos poucos fomos falando das nossas vidas um para o outro. Soube que a família dela era bastante próxima de Bel e que quando de férias ela sempre acompanhava a banda do "tio Bel", soube que ela pretendia se formar em Direito e que era mais nova do que eu imaginava (e do que eu, também). Fiquei sabendo que seus pais eram separados e que sua mãe namorava um cara de Recife, um empresário, se não me engano; Soube que ela morava desde o nascimento em Belém-PA; Descobri que seu sobrenome veio do seu avô (um sheik árabe); Foi dela que veio a frase que usei aqui recentemente, onde fala que "odeia gente pobre, mas tão pobre que só tem dinheiro". Em pouco tempo já estávamos íntimos, ela no Pará e eu em Pernambuco, até que um belo dia de carnaval no ano seguinte ao carnatal (sexta-feira que antecedia o Galo da Madrugada) meu celular toca com um DDD estranho. Ao atender escuto aquela voz sexy que me dizia: "_Estou na sua terrinha e quero te ver" Ainda perguntei quem era e ela se identificou. Puta merda, eu não podia acreditar... Retornei a ligação, nos falamos mais algumas vezes naquele dia e o que ocorreu no dia seguinte só eu, ela, Amanda e Deus sabemos. O tal do destino é foda. Passa o tempo e a faculdade começa a tomar conta de todo seu tempo. Aparecem os estágios, viagens, etc. Eu caso e nos afastamos de uma vez. Ou não. Meses atrás nos reencontramos em alguma esquina virtual e batemos um papo agradável, tomamos alguns kb de dados, demos F5 nas nossas vidas e entre um depoimento e outro a tal garota avisa que estará novamente em Recife no próximo dia 11 (e pensar que já tive resistência em relação ao número 11. Bobagem minha, mas como já citei aqui também esse passou a ser meu número da sorte. E que sorte) e quer me ver mais uma vez. Bem, namorando eu estou e fiel eu sou, mas não posso deixar de encontrá-la. Quem sabe esse encontro não rende mais um bom papo e fotos pro orkut?
Sempre a minha bela Natal (RN).
Escrito por J. Marinheiro Filho às 00h29
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Respondendo...
Como já disse, se passarmos por alguma situação, ao relatarmos a mesma teremos ao menos três versões: a minha, a sua e a verdadeira. Não tem como ser diferente, nunca retratamos de maneira 100% fiel ao ocorrido. Sempre que escrevo eu busco ser fiel ao fato, expondo até os meus erros. Muita gente tem perguntado os motivos da minha separação e o porque de não estar vendo minha filha. Não me sinto a vontade de falar sobre as causas do fim, porque se eu realmente for sincero e escrever o que de fato se passou eu irei abusar do meu direito à liberdade de expressão e posso me complicar, pois não terei nenhuma palavra carinhosa ou sutíl para falar da minha ex e da família dela, portanto, prefiro evitar. O que posso deixar claro é que SEMPRE tentei fazer minha parte , amando, respeitando, trabalhando, entendendo, aceitando e procurando conviver com harmonia com a família dela, por mais que não me dessem motivos para que eu tivesse alguma simpatia ou sentimento por eles. Enfrentei situações extremas desde quando a conheci anos atrás, a primeira das muitas decepções que senti. Nunca foi fácil estar ao lado dela e nossas diferenças de educação, esclarecimento, cultura, objetivo e caráter foram se evidenciando com o passar do tempo. Uma coisa é conviver superficialmente, mas conviver diariamente me fez ver que os valores e principios que carrego desde o berco se chocavam com a falta deles. Para casarmos, fui levado pela paixão (não vou falar por ninguém) e para separarmos até hoje eu mesmo não entendi. A decisão de casar partiu de mim, a de separar, dela. Quanto à minha filha, exijo a guarda compartilhada, mas não tem acordo; até mesmo o divórcio - cuja separação não partiu de mim - ainda não foi assinado, por isso corre no litigioso (o que eu não entendo). Acredito que minha única irresponsabilidade foi ir de encontro ao conselho dos meus amigos e familiares quando casei com uma desconhecida que só me causou problemas (relacao custo x beneficio), pois tudo que esteve ao meu alcance eu fiz - desde "pedir" a filha à fazer o máximo para construir uma família sem que nada nos faltasse.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 22h07
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