O que trazes pra mim?
Então é páscoa... Época de celebrar a morte e ressurreição de Cristo, libertar o corpo da carne e de outros males... Bahhhh Que nada, é época de se entupir de chocolates e outras guloseimas que a indústria empurra nos consumidores e triplicam seus lucros. Dia se comer aquele peixe que normalmente não comemos e o melhor de tuo: aproveitar o feriado para tomar todo alcóol que o nosso pobre organismo for capaz de ingerir. Simbolismos à parte, como todo brasileiro que deixa tudo para última hora eu fui hoje ao supermercado fazer as compras e engordar as estatísticas, ajudando o Brasil a sair da crise (óóó). Resolvi levar meu sobrinho Allan, o Allanzinho, que tem sete ou oito anos (sei lá, porra. sou só o tio, quem tem que saber é o pai). O então "passeio" foi bem legal, sem contar que pude exercer a figura paterna e treinar para quando for passear com meus rebentos. Para minha maior surpresa ele não quis escolher nenhum ovo de páscoa (mesmo eu tendo liberado tamanho e valor) alegando que já ganhou 3 ovos grandes e não quer engordar (ah, se toda criança fosse assim... lembro-me bem de um monstrinho que é alimentado feito bicho e não tem nenhuma noção de educação alimentar ou limites, mas deixa pra lá!) e já se mostrando um rapaz pediu apenas um joguinho de computador, um desodorante infantil do Hot Wheels (embora criança não precise usar, sendo mais um golpe da porra da indústria), alguns salgadinhos, pão de queijo e outras besteiras, além de pedir um ovo de páscoa para dar à mãe dele e eu não teria como negar. Enquanto escolhia o salmão, bacalhau e outras coisas do tipo (e do mar), me meti na conversa de suas senhoras que discutiam qual estava mais molhadinho, consequentemente melhor para se preparar a receita, e falei alguns detalhes culinários. Uma das senhoras não se conformou e indagou? _E é você que cozinha? _Sim, sou eu. Mas só na folga da empregada, aí eu assumo a cozinha. _Assim é muito bom, parabéns! _É... Eu adoro cozinhar. _E quem é a felizarda? _Er... Meus pais... Me separei e voltei a morar com eles. _Mesmo assim você está de parabéns, são raros os homens que fazem as compras e mais ainda os que cozinham. Boa páscoa! _Boa páscoa para senhora também. É claro que tinha algumas solteiras, recém-casadas e coisas do tipo por perto. Senti uma pontinha de inveja delas, pois estava ali bancando o homem independente que faz as compras com uma criança (não importava se era meu sobrinho), troca receitas e ainda fala que está separado. Só não distribuí meu cartão de visitas porque embora separado, não estou disponível. Mas foi bom fazer charminho. Chego à conclusão que criança é melhor que cachorro e que supermercado é excelente pro seu currículo, assim como cozinhar. "um ovo, dois ovos, três ovos assim..."
Escrito por J. Marinheiro Filho às 13h59
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Na tigela
Sabe aquele dia que você tem duzentas coisas pra resolver e acaba não resolvendo nada? Hoje foi um dia desses. Advogado, juiz, médico, empresa, banco, entregar presente, consulado, salão de beleza, antigo trabalho, etc... Tudo isso (e mais) era pra hoje. Acordei até cedo e após o almoço saí para fazer o que tinha que ser feito. Com excessão do presente (que foi apenas deixado na portaria, já que a pessoa não estava pra receber e me recusei a voltar depois) eu naõ resolvi nada. Voltando de Piedade (Jaboatão dos Guararapes) comecei a pensar em problemas e nas falhas daquele dia. Uma ligação de cobrança ainda me deixou mais demotivado, mas, fazer o quê? Eu não podia ficar me lamentando e voltar pra casa reclamando. Lembrei dos conselhos que havia dado a uma amiga quepassava por alguns problemas e tomei aquelas palavras pra mim, pois se eu mandava ela proceder daquela forma, porque eu não fazer o mesmo? Coincidentemente ela um dia me mandou uma foto da praia de Boa Viagem, falando que eu era um privilegiado por trabalhar tão perto daquela bela paisagem, e eu vi que mal aproveitava aquilo. Parei. Parei o carro na orla e fui tomar o bom e velho "açaí na tigela". A maré alta somada com as fortes chuvas de ontem deixaram o mar bastante agitado, assim como eu, mas é belo ver as ondas quebrarem perto da areia e voltarem calmamente pro mar (a água só corre pro mar...). Enquanto me alimentava eu pude fazer o que mais gosto: _Olhar o mar e jogar nele meus sonhos, meus medos, meus problemas e deixar que a correnteza leve o que tiver de ruim e as ondas tragam as respostas e soluções. Volto pra casa sem resolver porra nenhuma, porque até o salão estava fechado e não pude cortar o cabelo, mas ao menos tive tranquilidade para reformular as ideias e esperar que o novo dia seja mais produtivo e feliz.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 18h03
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