Ô loco, meu
Terça-feira, catorze de abril (abril, né, Amanda?), 18h30. Eu não havia ainda comprado as passagens para São Paulo, mas pretendia voar aquela noite. Também não havia ligado para avisar meu tio que ele teria hóspedes, já que eu iria levar meu primo também. Não consigo nada pela central de vendas e resolvo ir até o aeroporto, já que estava relativamente perto. Chegando lá encontro o balcão da companhia aérea fechado com a placa informando que sue horário de atendimento se encerrava as 14 e iniciaria as 23h. Fudeu! Mais uma vez tento a central de venda e nada feito. Passam das 19h, meu primo liga para saber se iríamos ou não, ele já estava com a mala pronta. Entro no atendimento on line do site da cia, ligo de novo pra central e quando já passava das 20h30 eu finalmente estou digitando o último número do cartão de crédito no site e consigo comprar as passagens para aquela mesma noite. Agora me resta fazer a mala, a barba, tomar banho, jantar... Minha mãe estava no hospital devido um transplante que rolaria naquela noite e apenas ligo para avisar. Antes das 23h meu pai me leva até a casa do meu tio que, posteriormente nos leva até o aeroporto. Já em frente ao portão de embarque, após o detector de metais encontramos Lenine e em seguida uma amiga do tempo do colégio que atualmente trabalha na TAM. Batemos papo, tiramos fotos e seguimos viagem. A viagem é rápida e tranquila. Chegamos em Campinas-SP antes mesmo de amanhecer. Ainda resta uma longa viagem até a casa do nosso tio, mas chegamos bem. Eu não combino com férias, porque embora adore viajar mas eu não consigo ficar sem fazer nada, então deixo meu primo dormindo em casa e saio à tarde para resolver algumas coisas, estabelecer alguns contatos. Os dias vão passando e aproveito meu primo para tirarmos fotos em lugares que já fui mas nunca havia tirado uma sequer. Estação da Luz, Praça da Sé, Parque da Luz, Museu da Língua Portuguesa, encontro das Avenidas Ipiranga e São João, lugar esse que passava diariamente devido a proximidade com o escritório da Calypso onde trabalhei algum tempo. Fiquei todo orgulhoso por poder mostrar que já conheço bem a cidade e atravessamos diversos lugares sozinhos. O mundo é uma bola porque tudo gira e tudo se encontra. Sabe quem é o professor de esportes daqui do prédio do meu tio (tenis, squash, futebol, volley, natação, etc?) o irmão do Luigi Baricelli, aquele que casou no dia do Festival de Verão... Até pouco tempo atrás ele morava aqui. Mundo ovo. Os dias continuam passando. Sigo a vida de paulistano, aquela que eu gosto: trabalhando sem parar mas com duzentas opções de lazer, gastronomia, etc. De noite ainda temos tempo pra jogar conversa fora, beber descompensadamente e passar mal. No outro dia tem mais. É bom se afastar um pouco dos seus dias para poder pensar de maneira diferente, olhar tudo de longe e saber o que faz falta e o que nos dá alívio por estar longe. Não foi a primeira nem a última vinda à São Paulo, mas como todas as outras, essa também deixará lembranças e saudades, mas levo a certeza que em breve eu tou de volta.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 01h22
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CEFET-PB
O ano eu não sei ao certo, mas lembro que faz um tempão (no mínimo uns 10 anos). Dois dos meus três primos (irmãos) que moravam em João Pessoa estudavam no CEFET (antiga escola técnica), ambos na área de informática. Alguém da turma deles instalou um jogo (antecessor do Counter Strike) nos computadores de dois laboratórios de informática e como a rede funcionava bem, as aulas vagas viravam uma verdadeira batalha virtual com muita estratégia, tiro, barulho e diversão. Mas aquele período do ano estavam sem aulas por conta da greve. Um primo nosso que mora em São Paulo estava passando uns dias aqui em Recife e fomos, juntamente com outro primo daqui, passar uns dias na capital paraibana afim de reunir os primos. Como nossa família é bem grande ainda faltariam vários, mas nós seis já éramos um time bem razoável se medir pela nossa capacidade de articulação e de arrumar confusão. A cidade estava tão parada que nem aula tinha. Bateu aquela vontade de disputar um fight em família e aquele laboratório seria incrível. Mas como? Além da escola estar em greve, era um sábado e só estavam autorizados alunos que faziam parte do time de futebol. Isso não foi problema, chegamos todos lá de tenis, meião no meio da canela e mochila nas costas. Na portaria foi só dizer que iríamos treinar. Nem carteira de estudante pediram. Estávamos ao menos dentro do campus. Os laboratórios ficavam no primeiro andar. A essa altura outros membros da quadrilha, digo, alguns colega de sala do meu primo já estavam lá também. Haviam dois ou três. Um era o representante de turma e um dia ficou responsável de fechar a sala de aula e o prédio. Astuciosamente tirou uma cópia da chave que dava acesso às escadas e da sala da coordenação. Chegando na coordenação, abrimos o quadro de chaves e procuramos o chaveiro do laboratório. Só achamos de um mas não encontramos a da sala onde se encontrava o servidor. E agora? Depois de ser ninja ao ponto de entrar sem ser notado, subir no escuro, vasculhar tudo até achar a chave do laboratório iríamos morrer na praia? Não mesmo... A sala onde estava o servidor tinha uma espécie de janela-basculante próximo ao teto, com uns 40cm de altura e num distância de mais de 2m do chão. O que fazer? O mais forte ficou em baixo, o outro subiu em seus ombros e o mais leve e alto (magrelo) meio que escalou e conseguiu abrir a janela. O do meio ficou o segurando pelas "canelas", enquanto ele, de cabeça pra baixo, pendurado quase que pelos pés a uma altura de uns 2,5m ligava e configurava o servidor que ficava naquele canto da parede. Quando terminou e mandou que puxassemos de volta ele estava com a cabeça pra lá de vermelha, mas tava tudo bem. Entramos no laboratório, ligamos as máquina e jogamos até o anoitecer, com todas as luzes do prédio apagadas. Passamos por um leve momento de tensão quando um zelador subiu até o primeiro andar para ver se tudo estava bem mas não chegou a nos encontrar. Acabada a aventura, voltamos pra casa pensando como havíamos feito aquilo, pois parecia coisa de filme, mas com o sorriso no rosto da missão cumprida e com a certeza de mais uma história pra contar por muito e muito tempo... PS: O texto de hoje é fictício, idealizado por primos que nunca tinham o que fazer mas sempre faziam as melhores coisas. Abraços pra Bruno, Gregório, Leopoldo, Thiago e Felipe Jr.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 00h02
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