Concreto e asfalto
Nunca sei a hora de sair. Até tento chegar na hora na certa, mas qual a hora? Sem mais delongas, a música fala por mim.
Se eu fosse embora agora será que você entenderia que há um tempo certo para tudo cedo ou tarde chega o dia
Se eu fosse sem dizer palavra será que você escutaria o silêncio me dizendo que a culpa não foi sua
É que eu nasci com o pé na estrada com a cabeça lá na lua
Não vou ficar, não vou ficar, fiz bandeira desses trapos devorei concreto e asfalto fiz bandeira desses trapos devorei concreto e asfalto
Tenho feito meu caminho volta e meia fico só, reconheço meus defeitos e o efeito dominó,
Mas se eu ficasse ao seu lado de nada adiantaria se eu fosse um cara diferente sabe lá como eu seria
Não vou ficar, não vou ficar, fiz bandera desses trapos devorei concreto e asfalto fiz bandeira desses trapos devorei concreto e asfalto
Fiz o meu caminho devorei concreto e asfalto, fiz o meu caminho devorei concreto e asfalto. (Humberto Gessinger)
Escrito por J. Marinheiro Filho às 16h34
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Uma visão holística
Se eu disser que não gosto de Recife ou Pernambuco eu estaria mentindo. Até me encho de orgulho para falar das coisas que todo recifense tá cansado de saber. Me orgulho de Porto de Galinhas ser eleita a melhor praia do país há anos; de Fernando de Noronha pertencer ao estado, mesmo sem nunca ter ido lá; de Rivaldo ter sido revelado no Santa Cruz e Juninho Pernambucano no Sport; do Galo da Madrugada ser o maior bloco do mundo; de Caruaru ter o melhor São João; de Dom Pedro ter doado o prédio do colégio que estudei para que lá fosse montado o Liceu de Artes; lembro que Pelé casou na igreja do Espinheiro; sei o significado de oxente, arretado, morgado e tantas outras gírias que fazem parte do nosso dia a dia. Mas, aqui nem tudo são flores. Recife também é a capital nacional da inveja e da mesquinharia. Não haveria símbolo melhor para descrever o pernambucano do que o siri que foi imortalizado pelo saudoso Chico Science, pois aqui quando tem um saindo da lama, o outro vai e o puxa pra baixo. Aqui eu vi mãe tentar casar filha pra meter a mão na grana dela (sabe a novela "Caras e Bocas", onde a Flávia Alessandra precisa casar para colocar a mão na herança? é bem por aí...), vi mãe e pai vender as filhas e roubar a neta, vi filho dar o golpe em pai e mãe, marido espancar esposa e ir morar com q¨%$#@. Também vi empregado roubar patrão, patrão roubar empregado; vi amigo que não é amigo e inimigo pior que inimigo. Vi mulher trocar amor por putaria e homem trocar família por drogas (apesar que isso se vê em qualquer lugar), mas o que mais eu vi e menos gostei foi essa mente pequena e provinciana de quem se importa mais com a vida alheia do que com a própria. Gente que consegue atrapalhar alguém só com a força de um pensamento negativo. Gente que não cresce e não quer deixar ninguém crescer. É. Aqui tem seus defeitos e qualidades, mas como todo mundo tem o direito de escolher, eu prefiro ser turista na terra onde todo mundo quer ser artista. O que será maior? A saudade ou o alívio? Aí, só o tempo dirá. "O melhor esconderijo, a maior escuridão, já não servem de abrigo, já não dão proteção..." Em tempo, acabo de ler o quarto livro (creio que seja o quinto, mas como não registrei, não vale) que por sinal recomendo para quem quiser saber mais sobre nosso país, o problema de abastecimento e ainda mais sobre a indústria da seca. Falar o que pensa é fácil, difícil é saber o que pensar sem conhecer do tema, segue título e autor: SEMI-ÁRIDO Uma visão holística, de Roberto Malvezzi
Escrito por J. Marinheiro Filho às 22h28
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Como é que se diz?
Esses malditos sonhos não me deixam em paz. Insônia, mau humor, noites em claro. Quando finalmente consigo dormir os sonhos voltam. Uma mistura de lembranças com um presente/futuro hipotético que me faz acordar para não mais dormir. Me dá saudades... Saudades do tempo que precisava apenas de sono ou de deitar-me para poder dormir. Saudades de quando os sonhos são apenas utopias e não retratos em preto e branco do que um dia já teve cor. Saudades de quando era fácil dizer "eu te amo", "obrigado", "vamos em frente", "vai dar certo", "é hoje", "valeu", "quero mais". Saudades de abrir os olhos e ver um sorriso, abrir a mão e receber um carinho, abrir os braços e ganhar um abraço. Saudades de quando meu pai era o chefe da casa, minha mãe a rainha do lar e meus irmãos apenas irmãos. Saudades de correr na praia, de andar de bicicleta, de sonhar com algo que eu queria ter. Saudades de quando podia sonhar, de quando valia a pena querer. Saudades de acreditar, de arriscar, de pagar pra ver. Não sinto saudades de ti. Não sinto saudades de mim. Sinto saudades de mim "com" você. Mas já que as cortinas se fecharam, o espetáculo acabou e ninguém tá pedindo biz eu lavo meu rosto, recolho meu cenário e candango que sou irei buscar novos palcos para os textos de sempre, pois enquanto houver platéia por esse mundo afora hei de repetir as velhas frases que nunca saem de moda. Como diria o saudoso Renato Russo: _E hoje em dia, como é que se diz eu te amo?
Escrito por J. Marinheiro Filho às 18h55
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Legítima defesa da honra ou Maria da Penha?
Ainda sobre a aula de ontem eu avalio dois momentos da justiça em nosso país. O primeiro, onde o famoso (para quem nasceu antes dos anos 70 ou gosta de história) Doca Street, em seu primeiro julgamento, foi absolvido de acordo com a "Legítima Defesa da Honra" após matar (e confessar) sua companheira Angela Diniz com quatro tiros no rosto e atualmente, onde as mulheres até abusam um pouco da lei "Maria da Penha" que busca combater a violência doméstica. Não sou nenhum brucutu nem criminoso, muito menos apoio assassinos ou quem desafie alguma lei, mas vejo o quanto algumas medidas serviam para impor respeito e manter a ordem na sociedade. Se a lei de talião já dizia "Olho por olho, dente por dente", isso em 1730 a.C, já era claro que as pessoas deveriam ser severamente punidas por seus delitos, muitas vezes de maneira bem radical. Com o passar dos séculos houve a evolução das nações e implementação de sistemas jurídicos, assim como reformas constitucionais e uma completa legislação foi adotada em grande parte do mundo, cada país/região modificando de acordo com sua cultura e tradição. O que percebemos é que se deu valor maior aos crimes com vítimas físicas, onde lesão corporal, tentativa de homicídio e homicídio doloso tem condenação quase certa (dependendo do nível financeiro e de influência do réu) quando traição, difamação, ofensas e outros crimes de questão moral praticamente não dão em nada (com excessão de racismo, que atualmente coloca muita gente na cadeia). Avaliando friamente o caso percebemos que a atual lei Maria da Penha acaba encorajando algumas mulheres a fazerem coisas erradas e ainda ameaçam os maridos falando da lei em questão, o que por consequência acaba aumentando os homícidios contra as mulheres, já que bater "dá cadeia", matar gera a dúvida, e até o assassino ser descoberto, julgado e condenado o autor do crime terá mais tempo para fugir ou arrumar um bom álibi. Lei no Brasil nunca funciona como deve. O que deveria servir para proteger as mulheres acaba funcionando como motivo para elas se sentirem capazes de fazer tudo porque a lei está ao seu favor e de quebra o marido ainda tem motivo para matá-la para que ela não o denuncie. Sinceramente... Por mais machista que possa parecer, mas acredito que a "Legítima Defesa da Honra" era uma excelente arma contra a traição e outras falhas da mulher. Antes que alguma feminista me atire uma pedra, explico que essa lei deveria servir para ambos os sexos, porque traição é algo abominável. Se você escolheu alguém para viver com você (seja namoro, noivado ou casamento) para quê se envolver com uma terceira pessoa? Não quer mais? Acaba, cacete. Trair já é demais. Antes que alguma outra rebelde venha me criticar ou me chamar de hipócrita, respondo na lata: _Não sou hipócrita. Eu não traio. Até mesmo porque a minha obrigação é de respeitar a mulher que eu estou, e não de evitar mulher comprometida. Culpado é quem tem alguém e fica com outro alguém, não o outro alguém que ficou com alguém que tinha alguém. Só para finalizar, antes que algum engraçadinho venha questionar meu texto de hoje e perguntar se estou sofrendo por alguma "gaia" (popular traição), eu respondo também: _Não. I'm not. Apenas percebo que se as leis fossem mais severas nós viveríamos em um mundo melhor. Não se engane, toda traição será castigada. Aos homens que tem duas mulheres o castigo são duas sogras e vários cunhados, e para as mulheres que tem mais de um homem elas estão predestinadas a viverem na solidão, porque quem não sabe o que quer, não merece o que tem (nem sei de qual msn eu roubei essa última frase, créditos para quem escreveu).
Escrito por J. Marinheiro Filho às 21h50
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