Já em Milão
Assim como na última vez que escrevi, já havia desligado o computador e me preparava pra dormir quando ao olhar pela janela aberta vi onde estava e me perguntei: _Quando estarei aqui de novo? Embora a vontade seja que volte no mês que vem, o retorno é imprevisível. Superando todas expectativas essa viagem só está me trazendo coisas boas, surpreendendo à cada momento. O show do Festival de Montreux foi perfeito, tão bom que deixarei para um texto exclusivo. No momento quero focar apenas no que passa pela minha cabeça aqui de frente para uma das avenidas mais movimentadas de Milão, na Itália. Empolgado, excitado e com o nível de alcóol excedido foi estranho dormir à noite. Parte de mim não parava de pensar e o restante não conseguiar nem sequer ficar de pé. Acordei até cedo para quem foi dormir quase de manhã e por volta das 9h00 eu já estava repetindo o café da manhã dos deuses no hotel ainda em Lousanna, uma vez que voltamos para dormir lá depois do evento em Montreux. Após um breve passei até o lago Léman, passando pelo túneo subterrâneo ao metrô, voltei para o hotel onde pude cochilar. Passava pouca coisa do meio-dia quando seguimos à procura de um restaurante e após andar alguns metros paramos em um privilegiado cenário à margem do Léman. Chico Science escreveu e eu cumpro à risca com uma cerveja para abrir o pensamento antes do almoço. Como aperitivo pedimos uma espécie de presunto servido como carpaccio com torradas e bastante azeite. A entrada é uma salada especial com molho caesar e o prato principal uma carne servida com arroz branco e batatas. Comemos com reis e pagamos como tal. A conta em euros reflete a situação econômica de um pedaço do paraído chamada suíça onde inexiste pobreza e tudo é MUITO caro, mas nada paga o prazer de estar ali. Lausanna foi o primeiro presente extra-roteiro da viagem pois iríamos ficar em Montreux e acabamos colocados em um principado que lembra Mônaco, mas as surpresas boas não acabariam por aí. Voltamos para o hotel apenas o tempo de escovar os dentes e pegar estrada rumo à Itália. A estrada é maravilhosa no sentido físico e panorâmico. Passamos bem próximo ao Mont Blanc e outros cartões postais, castelos do século XIV e XIX, rios, represas, montanhas, cidades medievais que mais pareciam cenário de filmes épicos e outras maravilhas da natureza, arquitetura e história. Paramos para um capuccino em uma taverna em Aosta, a primeira cidade italiana para quem segue o roteiro St. Bernard, saindo da Suíça. Chegando em Milão o trânsito já lembra um pouco o Brasil com seus engarrafamenos, mas as semelhanças param por aí. A cidade não é nem de perto tão bela quanto as do país que acabamos de deixar, mas ainda assim tem seu charme, e afinal, estamos em Milão. São quase 22h e devidamente tomados banho saímos para jantar e vamos até um famoso restaurante próximo que já havia fechado (pois aqui encerram as 22h) e decidimos então comer pizza, salada, coca cola e... vinho! Começamos no restaurante e levamos algumas garrafas para o hotel, os que bebem são três, número igual às garrafas que levaríamos para o quarto. Então é em um apartamento de hotel com acabamento impecável estilo suíte presidencial, de frente para uma das avenidas mais movimentadas de Milão, com uma taça de um bom vinho que escrevo hoje. Saudades de casa e da família eu sinto, mas não dá pra explicar o quanto é bom estar aqui.
Escrito por J. Marinheiro Filho às 07h45
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