Os primeiros festivais

Estava devendo falar sobre Montreux. O clima da cidade Suíça, não só pela temperatura, é todo especial. A cidade respira e inspira música sediando um dos maiores festivais de música do mundo, o famoso Jazz Festival de Montreux que de jazz praticamente só tem o nome. Os maiores artistas do mundo já passaram pelos palcos e pólos do evento. Tudo faz referência ao enorme festival e a noite promete.
Circulamos pelos pavilhões dos centros de convenções, teatros, bares, praças, restaurantes, quiosques, casas noturnas e demais instalações, tudo é montado com cuidado em cada detalhe. Não é a toa que o festival completa sua 43 edição chamando atenção do mundo todo.

A apresentação de André Rio acontece no Montreux Jazz Café. Aquele seria o primeiro show da quinta turnê dele pela Europa e minha primeira participação em festivais europeus. Me senti pra lá do paraíso. O camarim com água perrier, cerveja heineken e outros mimos, presentes, brindes e uma produção toda para nos dar assistência. Ao final do show, o fundador do evento, Claude Nobs vem pessoalmente parabenizar pela apresentação e convidar para que no próximo ano estejamos novamente ali. Vamos beber pra comemorar e dar umas voltas. Retornamos para dormir em Lausanna, ainda na Suíça, em completo êxtase.

Montreux é classe, história, tradição e bom gosto mas outro evento que eu também tinha a maior curiosidade em conhecer era a Latino Americando Expo, em Milão, na Itália. No outro dia seguimos para Itália. Um dia antes da apresentação do André Rio (que dividiu a noite com a banda Baiana Olodum, batendo o recorde de público ao atrair 25 mil pessoas, mais que a Banda Calypso e quatro vezes mais que a Gloria Estefan, motivo esse para a cubana se recusar a subir ao palco por falta de público) fomos ao evento para curtir (beber mesmo) e cumprimos bem nosso papel.
Um grande amigo já havia me preparado para o que eu iria encontrar, e a Expo realmente era um festival de mulher bonita (e puta brasileira e latina em geral), um verdadeiro pedacinho do inferno disfarçado de paraíso. Não tinha como não gostar. O camarim nos espera com diversos drinks que vão de cerveja à red bull com direito à whisky escocês. O jantar rola em um restaurante brasileiro e falando nisso, as dançarinas brasileiras que trabalham nesse evento se jogam de maneira impressionante. Uma coisa é certa: eles sabem tratar bem os artistas.



Escrito por J. Marinheiro Filho às 05h27
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Um posto de gasolina, uma vaca e uma venda

Quinta-feira, 16 de julho de 2009. A principal atração da noite no Festival Latino Americando (americando mesmo) é a cantora Gloria Estefan e todos queremos ver o show. Como eu havia dirigido durante o dia, pela primeira vez estava há mais de 10 horas sem ingerir nada com alcóol, e não estava nem um pouco satisfeito por isso.

O Gadoti retorna de Roma, onde havia ido levar o Olodum para uma apresentação, e sem descansar vai com os dois grupos (nós, do André Rio e o Olodum) até a arena do evento.
Seja qual for o artista em questão é muito chato quando o público estimado não comparece, e em se tratando de Gloria Estefan isso é um grande problema. Até mesmo o estacionamento interno do evento está vazio e se compararmos ao dia da nossa apresentação todas as vagas foram ocupadas, tinha carros por todos os cantos inclusive em uma ponte a cerca de 1km do local.
Se não tinha muito carro, também não havia público e o total de pagantes era quatro vezes menor do que o do dia que nos apresentamos. Lamentável para ela, ponto pra gente.
Tamanha era a confusão que sua produção não queria que ela se apresentasse sem um público satisfatório e a confusão se instalou. Sobe ou não sobe, canta ou não canta, vai ou não vai. Para um evento que dura três meses e contabiliza dados positivos sempre priorizando organização e pontualidade, o show da cantora já estava atrasado quase duas horas. Estamos com uma leve fome e uma vontade imensa de beber. Resolvemos ir embora.

Ainda no hotel eu havia tomado duas cervejas e umas doses do whisky que comprei para os momentos de solidão em Milão. Vamos até o "Recife antigo" da Itália, uma área que muito lembra o centro histórico da capital pernambucana misturada com veneza, já que bem no centro um rio corta as ruas que lembram a do Bom Jesus e Da Moeda no auge da boemia recifense. Alguns vão de cerveja mas vou de vinho tinto para acompanhar o cantor. Falamos de família, de música, de show, dos outros, dos mesmos. Lembramos o que já havíamos esquecido e muita coisa que não queríamos lembrar. Chego a desejar a companhia de alguém que há muito já não está comigo, o vinho tem dessas coisas. Lembro dela, lembro de mim, lembro de nós. Procuro motivos e só acho os culpados. Penso na outra, penso na mesma, penso naquela. Entre taças, vinhos, queijos, massas e memórias o tema muda e o roteiro do dia seguinte começa a ser moldado. Fábio Valois sugere ir até Monza quando André questiona se ele já conhece a cidade. Valois responde que não e André manda uma pérola:
_Bicho, eu conheço Monza. Lá tem apenas um posto de gasolina, uma vaca e uma venda. Pronto, acabou a cidade. Vamos pra essa pica não.
O sorriso toma conta de todos e percebemos que é melhor sorrir que lembrar.



Escrito por J. Marinheiro Filho às 13h24
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Ainda em Milão

Milão tem lá suas vantagens, mas ninguém aguenta passar o dia todo enfiado na suíte do hotel e resolvemos sair à noite em um dia off para os músicos. O manager, C. Gadoti estava em Roma com Olodum e antes de viajar deixou conosco a chave do carro, documentos e GPS. O que faltava? Nada...
Sem destino certo mas com fome e vontade de arrumar o que fazer ligamos o aparelho para que nos mostre o caminho até Duomo e, por medo de uns, insegurança de outros e vontade de beber eu sou eleito para dirigir o carro que lembra uma van, com capacidade para 9 pessoas.
O caminho é tranquilo e o GPS funciona perfeitamente. Quando chegamos ao centro a única dúvida é onde estacionar, espertamente, André Rio salta do carro assim que vemos uma viatura da polícia e antes que questionem o que estamos fazendo ali ele pede informações sobre estacionamento e paramos algumas centenas de metros depois.

Passa das onze horas da noite e a maioria dos restaurantes não estão mais recebendo clientes. Encontramos uma pizzaria e paramos lá mesmo. Queijos, presuntos, pães, azeite e um vinho da casa compõe nossa entrada, quer dizer, a entrada deles porque não tomo vinho por estar dirigindo. Aquela seria minha única refeição sem alcóol desde que saí do Brasil.
Pedimos pizza, lasanha e outras massas. Voltamos pro hotel como bons meninos mas antes paramos em uma loja de conveniência para algumas compras de etílicos e aperitivos. Após estacionar o carro são e salvo, vou pro quarto, tomo uma de leve e durmo.

Mais um dia no hotel em Milão seria suícidio na certa. Não tem nada pra fazer, a programação da TV é uma bosta (e olhe que tou comparando com a TV aberta do Brasil, que não é assim uma Brastemp), se fosse só a diferença do idioma seria ótimo, até porque entendo relativamente bem, mas os filmes são ruins e antigos, o telejornal é bisonho, o canal de vendas é tosco e os seriados sem graça, sem contar com as propagandas a cada segundo. De verdade só consegui assistir a novela brasileira Terra Nostra, dublada em um italiano forçado e sem sincronismo, mas vi as versões italianas (e pioradas) de Márcia Goldsmith e Raul Gio, esse último IGUAL, inclusive a voz e aparência, até o cenário e quadros lembra e muito o conhecido pelos brasileiros, então TV é algo totalmente fora de questão no quesito ocupação.

Vamos almoçar no shopping, então. E quem vai dirigir? O Marinheiro aqui, lógico. Mudo de co-piloto (sai André, que fica no hotel dormindo e vai para o banco do carona o Alexandre) e conseguimos (com auxílio de Pita e Valois, que deram palpites errados sobre o roteiro) errar o caminho mesmo com o GPS ligado. Se fosse só uma ou duas ruas a mais, tudo bem, o problema é que entro na auto-estrada, saio de Milão, passo por três pontos de pedágio, levo duas multas por não ter pago o primeiro pedágio e vou parar perto de Genova, outra cidade italiana bastante longe daqui. E cadê a porra do retorno? Vai saber... Rodamos pra cacete até conseguirmos alguém pra dar informações, já que o problema é que realmente não tem ninguém nas ruas e avenidas, reprogramamos o GPS, pegamos o retorno, passamos no quarto ponto de pedágio (dessa vez eu pago o anterior e fico devendo apenas as duas multas, uma lembrancinha minha para com o dono do carro) e conseguimos chegar ao shopping.

Se estamos na Itália o que vamos comer? Pizza? Nem fodendo... Não aguento mais olhar sequer pra uma coisa redonda cheia de queijo em cima com molho de tomate e outros temperos. Paramos em um japonês e peço um teriaky caprichado com uma coca 500ml.
Rodamos, gastamos mais alguns euros e algumas horas depois estamos retornando para o hotel. O GPS funciona bem e como já tinha noção do caminho chegamos rapidamente e agora é só contabilizar o prejuízo.

Saldo parcial da viagem: chopps absurdamente caros, perfumes, casaco ferrari 2009 oficial, camisa versace, blusas diversas, cuecas italianas, chocolates suíços, almoços de 40 euros, whiskys, cervejas e red bull no hotel, jantar à base de vinho, passagens de metrô e ônibus, presentes e mais presentes, duas multas no pedágio da auto estrada e lembranças e histórias pra contar que não tem preço.



Escrito por J. Marinheiro Filho às 13h23
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