Vou misturar, vou misturar...
A noite e a madrugada anterior tinha sido em meio a bebidas e outros prazeres da carne e da alma. Eu acordei com um tremendo mal humor misturado à ressaca pelas poucas horas dormidas. O mal humor se desfez ao perceber que eu estava em Milão, mas a ressaca demorou um pouco mais. Impaciente, não quis esperar o elevador e desci os dois andares do hotel de escada. Me restava 15 minutos até encerrar o café da manhã. Por sorte, ainda consegui comer bem. Lembro também de ter trocado algumas palavras com os músicos do Olodum, em especial com aquele que ainda hoje é lembrado por sua participação no clipe de Michael Jackson a tocar com o astro e em seguida levantar o tambor/alfaia. Ainda descabelado volto para o quarto. Tenho apenas o tempo de tomar banho e separar uma troca de roupa, pois temos compromisso em Turim (Torino). Passa das 10h quando abro a primeira cerveja para "lavar" o alcóol do dia anterior. Pegamos a auto-estrada e dessa vez quem dirige é o Marcos, brasileiro que mora em Lugano, Suíça há 11 anos e no momento está nos dando um certo suporte. Algum tempo depois paramos em um AutoGrill para almoçar. Mudo o rótulo mas continuo na cerveja. Seguimos viagem. Mal chegamos em Turim e já estamos no quarto do hotel organizando a pequena bagagem para irmos até o local do evento desta noite, a antiga fábrica da FIAT que atualmente abriga o Festival Latino. Tomo uma generosa dose (cowboy) do whisky 12 anos que trouxe na bolsa e seguimos para o local. Chegando lá somos logo recepcionados pelos funcionários do restaurante brasileiro (que também pertence a contratante, uma brasileira), e das 17h até o anoitecer (por volta das 21h) nos servem uma Brahma Long Neck tipo exportação (que mais parece uma Skol Beats) e em seguida, chopps até não aguentarmos mais. A distância até o hotel não passava de 10 km. Ainda desço do carro com o copo de 500ml na mão, porém vazio. Subo para tomar banho e, ao sair, o Alexandre preparava para ele e Pita umas doses de Absolut com soda. A essa altura já estava valendo misturar vodka com tudo mais ingerido. Põe uma pra mim? Com o copo na mão voltamos para a Fábrica da FIAT. André não quer chopp e a dona do restaurante, atenciosa como sempre, nos dá alguns redbulls e uma garrafa do querido "amigo" Jackie Daniels. O show e a garrafa dura cerca de uma hora. Só eu e André estamos tomando whisky, o restante do grupo continua no chopp. Vamos jantar. Nesse momento, para acompanhar a feijoada eu tomo alguns chopps e me sinto em um pedaço do Brasil (até porque a quantidade de mulata e dançarinas brasileiras de outras "cores" era impressionante). Embora meu paladar não esteja 100%, ainda aceito provar um coquetel com uma bebida parecida com Campari e acabo tomando um copo e meio. Dali em diante podiam trazer xixi de vaca da Índia que tomaríamos da mesma forma, mas o after rola e anúncia mais alcóol pela frente. Chegando lá, eu e André encaramos o velho Jackie D. Ele, puro, o meu com redbull. Não demora mais que o tempo de tomarmos uma dose e meia, cada, para chegarem taças, baldes repletos de redbull e outros com Möet & Chandon para brindarmos a vida, o show, a noite e qualquer coisa que passasse pela frente. Tento me lembrar com exatidão o ocorrido ali mas só me vem flashs. A volta pro hotel é uma festa à parte. O dia está claro quando resolvemos deitar. Incrivelmente levanto 4 horas depois sem ressaca, praticamente, tomo um banho, desço para o melhor café da manhã de todo tempo que passei na Europa e seguimos viagem de volta para Milão. Impossível que tanto alcóol e tanta mistura não me causasse transtorno nenhum e, no silêncio Italiano, após uma noite de muita música, sorrisos e outras coisas mais, eu mandei um e-mail que me arrependo até hoje. ("Vou misturar, vou misturar, vou misturar... ...no caldeirão do meu Nordeste" é um trecho da música Caldeirão do Nordeste, de André Rio)
Escrito por J. Marinheiro Filho às 06h28
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Ímã
Tudo começou E eu achava que era um lance De momento, uma mera distração Você me dizia aquelas coisas tão bonitas Que eu precisava de novo escutar De repente as horas Não passavam mais Descompassava o peito Meu olhar no seu olhar Os dias indo e vindo e minha cabeça Já não parava mais de rodar Eu achava graça da sua risada E curtia o seu jeito de falar Eu corri pro violão Cumpus a última canção de amor Que diz: Corra, fuja, por favor desapareça Que eu não tenho mais como evitar Sua boca é um ímã Minha pele uma fogueira Pro seu coração de gelo Incendiar Corra, venha Se entregue inteira Se assim seu coração mandar Quem brinca com fogo Pode se queimar eu sei Mas, é bem pior não tentar E morrer de frio (André Rio)
Escrito por J. Marinheiro Filho às 22h04
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