Faz graça...

Não sou uma ONG, sou um profissional e tenho uma empresa que tem contas à pagar. Pessoas dependem de mim, funcionários, estagiários e fornecedores. Todos contam com o dinheiro no final do mês ou período e eu tenho que honrar com o combinado. Água, luz, aluguel, internet, impostos. Já citei aqui o quanto é difícil manter uma estrutura funcionando.
Reconheço que é prazeroso e também nos realiza profissionalmente ocupar o cargo de "empresário", é um patamar que, se bem administrado, pode lhe trazer diversos e generosos frutos.

Enquanto pessoa, mero mortal, eu podia virar noites ou dedicar meus dias de folga a trabalhos quase voluntários (muitas vezes voluntários) para agradar amigos e contatos profissionais. Até um ex-chefe mesmo volta e meia me pedia um "freela" e lá ia eu fazer, de boa, sem receber NADA (alguns até pensam que eu recebia ou recebi), tudo em prova da gratidão que eu sentia.
Fiz dezenas de projeto "no risco", onde eu só ganharia se o projeto fosse aprovado (muitos deles acabaram sendo aprovados, mas as pessoas envolvidas não tinham um bom carater e não me repassavam nada após a liberação da verba), mas agora é diferente, além de sócio-gerente eu também sou mão-de-obra dentro da minha empresa e cada minuto que eu deixo de fazer algo remunerado eu estou dando prejuízo a minha empresa, pois não tá entrando dinheiro e estou deixando de fazer algo que poderia servir para pagar a folha do mês, por exemplo.

Para quem não sabe como está minha vida profissional, eu vou dar um breve panorama: até maio deste ano trabalhei em uma agência de promoções e eventos e ocupava o cargo de Diretor de Criação, conforme consta em minha Carteira Profissional e eu era Diretor de Arte. Pedi demissão para dedicar-me a um projeto antigo, um escritório de representação artística e realização de projetos culturais na cidade de São Paulo, ao qual dei o nome de Conexão PE, por ser um elo entre a cultura do Nordeste, principalmente de Pernambuco nos estados de RJ, SP e MG.

O mês de junho foi todo dedicado ao São João, claro. Seja em projetos para o período junino de algumas cidades do interior como para a turnê de artistas como Almir Rouche, Ed Carlos, Nildinho da Paraíba e André Rio.
Ainda no final de junho, após viajar por diversas cidades do Nordeste, surgiu a oportunidade para no mês seguinte eu realizar uma viagem pela Europa, onde nas primeiras semanas eu estaria conhecendo, convivendo e produzindo os shows de André Rio pelos principais festivais do mundo da música, como o Montreux Jazz Festival (Montreux - Suíça), Latino Americando Expo (Milão - Itália), Festa 100% Latina (Roma - Itália), Festival Latino (Torino - Itália), além de outros festivais menores (como o de Lonato del Garda, entre outros) e, em seguida, faria turismo por outras cidades e países. Por mais dispendioso que essa viagem de um mês representasse mas era uma oportunidade única. Não iria apenas visitar os festivais, eu iria conhecer toda a estrutura, backstage, circular entre artistas como B. B. King, Lilly Alen, Gloria Estefan, Olodum, e centenas de outros dos quatro cantos do mundo. Conheci o gênio Claude Nobs, fundador do Montreux Jazz Festival, jantei com donos e donas de boates, restaurantes, teatros, produtoras e hotéis. Andei de navio, balsa, gôndola, trem, metrô, comboio, bondinho, ônibus, carro, van e avião. Dirigi mais de 3 mil quilômetros pela europa e fiz excelentes contatos profissionais. Foram 4 países e 17 cidades que eu tive o prazer de conhecer, passando pelo menos 1 dia em cada (isso sem as dezenas de cidades que passávamos apenas de carro).

Passados os meses de maio, junho e julho, chega agosto e eu retorno ao Brasil. Cheio de histórias pra contar, com a cabeça bem mais aberta, ideias novas e outra visão da minha própria vida, recebi a proposta de um casal, parceiros profissionais de alguns anos e amigos da família há longas datas para abrirmos uma empresa aqui em Recife, nossa cidade natal. Compartilhamos dos meus objetivos e alguns gostos. Após algumas conversas, muitas reuniões e acertos de contas, a empresa começa a funcionar, em caráter experimental em 01/09, porque nosso CNPJ ainda não saiu e não podemos emitir notas fiscais. A equipe de trabalho ainda não está completa mas os clientes já começam a surgir, assim como os primeiros e enormes trabalhos. Já no ritmo louco de uma empresa que tem um fluxo bom de trabalho, recebo alguns pedidos para projetos "de graça", "no risco" e "na amizade". Os "na amizade" são os que não posso negar, porque amigos mesmo eu tenho poucos e reconheço cada um; os "no risco" eu só faço dois ou três porque o risco até compensava, mas "de graça"? Sou lá palhaço pra fazer graça pra ninguém, aí aproveito para citar um fato ocorrido na semana anterior à minha viagem:

Havia saído o edital para o BNB/BNDES, e por ter um contato muito bom dentro da instituição, fui apresentar o roteiro a um sócio de um ex-chefe, ao qual eu tinha uma grande consideração por ambos. Expliquei todo procedimento, todas categorias, itens mais passíveis de aprovação e todas informações pertinentes. Não foi surpresa quando mostraram interesse por aquele "dinheiro fácil", típico de patrocínio a fundo perdido, e mais previsível ainda quando me pediram para elaborar tudo. Expliquei que estava sem tempo, que viajaria em 8 dias e só retornaria mais de um mês depois, mas como dinheiro é sempre bem-vindo, pedi um valor simbólico de R$ 200,00 (duzentos reais) por projeto pronto. Para se ter ideia do valor do mercado, algo desse tipo, com cerca de 32 páginas não sairia por menos de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), e não faço nada por menos da metade disso. Como seriam 12 projetos e eu já tenho certa prática na elaboração, o valor pedido por cada um sairia praticamente de graça pra eles mas seria útil pra mim na hora de comprar mais euros pra viagem. Também ficou acertado uma comissão de 10% para cada projeto aprovado, após liberação da verba. Nada mais justo, até porque o valor cobrado no mercado é de 20%, mais uma vez deixei o coração e a gratidão falar mais alto e fechei com valor mínimo. Ao ser questionado para onde eu iria, me foi feita outra proposta, já que eles possuem uma empresa que poderia fechar parceria comercial com outras empresas da Europa, portanto, solicitaram que eu fizesse as visitas e passasse os contatos para futuros contratos. Sabendo como funciona e quanto custa o deslocamento naqueles países, avisei que isso geraria um custo (táxi, metrô, telefone, internet, etc) e falei que por £ 30,00 por dia de visita eu realizaria o trabalho. Só para dar uma média, paguei cerca de £ 18,00 de metrô/dia, £ 5,30 de ônibus/dia, £ 8,00 de internet/hora e até £ 40,00 por refeição. Os £ 30,00 no final das contas não seriam nada.
No dia seguinte, eis a resposta:

_Marinheiro, conversei com o XXXXX XXXXXX e estamos "sem condições" de fazer assim. Não temos dinheiro para pagar os projetos nem a ajuda de custo para você, mas faça todos, me mande, que "se" forem aprovados, você ganha os 10% do líquido do patrocínio, e pode visitar as empresas que "se" fecharmos alguma coisa, "depois" te daremos uma comissão.

Ah, não fode... Estão sem condições de pagar? 10% do líquido SE aprovar? Nem garantia que eu receberia eu tinha. E visitar as empresas, passar os contatos e contar com a boa fé deles para pagar num futuro distante? Impossível... Ontem mesmo vi um CD, fruto de um projeto MEU ao qual detenho cópia datada ser distribuído por todo país e até hoje não recebi um centavo dos ganhos. Definitivamente não rola. Nem me dei ao trabalho de responder e segui viagem.

Semana passada estou tranquilamente trabalhando quando recebo o seguinte e-mail:

De: Fulano de Tal [mailto:fulanodetal@dominio.com.br]
Enviada em: sexta-feira, 4 de setembro de 2009 14:43
Para: 'J. Marinheiro - Conexao PE'
Assunto: Projetos

Marinheiro

Você não fez os nossos projetos??? O que houve???
Ficou chateado em não ter financiado a sua passagem????

Abs

Fulano de Tal

Respondi:

De: J. Marinheiro - Conexao PE [mailto:jmarinheiro@conexaope.com.br]
Enviada em: sexta-feira, 4 de setembro de 2009 15:00
Para: 'Fulano de tal'
Assunto: RES: Projetos

Não, Fulano, de maneira alguma.
Até porque minhas passagens já estavam devidamente pagas, assim como hospedagem e afins e vocês dificilmente teriam condições de arcar com os XV mil reais que gastei. Lembro também que o que eu havia proposto era uma ajuda de custo para deslocamento, para que eu pudesse visitar os possíveis clientes. Realmente eu não fiz porque me empolguei com a viagem e ao invés de 6, visitei 17 cidades e um país a mais do que o previsto, então preferi focar minha viagem no turismo e em contatos apenas para eventos, deixando até mesmo e-mails e celular de lado para curtir minhas merecidas férias. Peço desculpas por não ter enviado em tempo hábil,  mas como já havia te passado o roteiro, cabia aos interessados desenvolverem tais projetos.

Abraço,

J. Marinheiro

Só podia ser sacanagem, né? Financiar minha passagem? Desde quando pedi isso? Ironizar com minha cara? Ah, vai se foder! Tirei o nome dos envolvidos mas sei que ele vai ler isso aqui novamente, até porque tudo que eu escrevo chega até àquela empresa. É óbvio que até o momento esse senhor não respondeu meu e-mail, calando-se com minha resposta. Talvez ele me procure. Talvez não. Só quero dar o seguinte recado: _Se vocês vão morrer amadores, a culpa não é minha, apenas, me profissionalizei. Passar bem e mantenha distância.



Escrito por J. Marinheiro Filho às 19h50
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Dias assim...

Havia me dado descanso da internet em casa por uma semana. Chegava em casa e evitava ao máximo conectar ou sequer ligar o computador (apenas ontem, um pouco antes do jogo da seleção eu criei uma capa e um template para um projeto e desliguei sem nem checar e-mails), arrumava outra ocupação e assim os dias foram passando.

Na sexta eu fui para a cidade de Tracunhaém, interior do estado de PE, chegando em Recife as 5h. Mal dormi, acordei e fui até o prédio da agência para organizar alguns documentos, tive uma outra reunião qualquer, almocei e segui para João Pessoa com meu pai.

Passei bastante tempo sem ir até aquela cidade mas esse ano aumentei consideravelmente as visitas. Dessa vez ficamos na casa do meu tio Antônio. As farras com meus primos lembraram a época das férias de criança, só que na versão proibida pra menores.

Como tudo na vida tem consequências, as farras das noites do sábado, domingo e da segunda (o pior-melhor dia, por assim dizer) me fizeram falar mais do que devia e fazer o que não devia. Tudo bem que meia dúzia de verdades e furar olho de amigo não é nada tão bizarro, mas na terça bateu um pouco de arrependimento, tanto que apaguei os dois últimos textos do blog, pois não acreditava como tinha escrito aquilo. Passou. Sempre passa.

Ainda na segunda, acordando de ressaca, li um livro chamado "As cinco pessoas que você encontra no céu" de Mitch Albom. Nunca tinha ouvido falar nessa história, mas achei bastante interessante e li as quase 200 páginas antes mesmo de sairmos pra almoçar e pra outra farra, dessa vez ainda maior. Hoje, pesquisando sobre o livro eu vi que existe um filme também. Pretendo alugar em breve.

Nessa brincadeira já passou a sexta, sábado, domingo e segunda. Na terça, já em Recife eu enfrentei algumas reuniões e compromissos, ao final do dia estava pra lá de cansado e com sono acumulado das noites em claro do final de semana. Antes das 22h estava dormindo, nada de computador novamente.

A quarta trouxe um misto de problemas, trabalhos, dinheiro, compromissos e aquela vontade de mandar tudo pra putaquiopariu. Falando em vontade, o jogo da seleção misturado com tudo que já mencionei era um convite pra fumar um ou tomar todas. Ou os dois. Ou nenhum. Uma parada no shopping me garantiu a primeira opção e, quanto a bebida, em casa nunca falta. Mas não bebi.

Fiz questão de jantar e preparei todo o ritual. A novela das 20h também apresentava alguns costumes da Índia quando comecei a montar a nargilê. Na "mundo verde" pude comprar uma caixa de "Cola", outra de "Lychee", um tubo de carvão e um mini maçarico. Tudo no seu lugar começo a degustação. Meus pais olham curiosos e após dizerem que vou morrer, que vai viciar, que aquilo é o mesmo que maconha, que até tem um cheiro bom, que não tem necessidade daquilo... resolvem experimentar. Demora um pouco mas até gostam. O que não demora é a tontura surgir neles. Param. Eu não.

Continuo até a última ponta e nem o jogo do Brasil consegue me deixar agitado. Essa noite eu ia conseguir dormir como nunca. Na quinta não teve nargilê. Na quinta não teve bebida. Na quinta teve internet e trabalho com trabalho. Se vou dormir, sonhar, trabalhar ou revirar na cama, já já eu descubro. E que venha a sexta-feira.

 



Escrito por J. Marinheiro Filho às 22h50
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Alcóol e internet não combinam

Sei lá o que porra deu em mim e, nos últimos dias, escrevi mais merda que o de costume. Obviamente retirei alguns textos aqui publicados, os dois mais recentes. Na verdade gostaria de apagar mais e me arrependo de ter levado o notebook na viagem do feriado de 7 de setembro.
As vezes que usei internet foi para escrever merda ou falar merda pelo msn. Não sei que consequências terão e, de qualquer forma, valeu a experiência.

Alcóol e internet não combinam. Tá dito.



Escrito por J. Marinheiro Filho às 09h31
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Correção e aventura

Gostaria de fazer algumas considerações sobre a postagem de título "só queria ter do mato...", pois me expressei errado quando disse que 'cansei de ser certinho'. Não é que eu vá deixar de fazer as coisas certas mas, que posso muito bem ter algumas vontades e fraquezas. Quem não tem? Só não quero nem vou concorrer ao nobel da paz ou tentar substituir Madre Tereza, Frei Damião ou João Paulo II. Sou J. Marinheiro Filho e assim quero viver e morrer. Forte ou fraco, feio ou bonito, rico ou pobre, simples ou exibido, bem sucedido ou fracassado, chorando ou cantando, amando ou fodendo, esse sou eu.

A maior aventura da minha vida

Uma noite sem graça em um dia cansativo eu me encontrava digitando algum roteiro de um projeto qualquer de captação de recursos quando comecei a conversar com uma amiga de uma amiga que estava se tornando minha amiga. Trocando em miúdos, a garota é a Ju e quem me apresentou foi Amanda, a mesma que um belo dia, por total falta do que fazermos, inventamos um jogo da verdade via msn, onde cada um pergunta o que quiser e, por pior que seja a resposta, mas que seja verdadeira. Eu e Ju resolvemos "jogar" um pouco e no meio das perguntas ela mandou a seguinte:

_Qual maior aventura da sua vida?

Realmente eu não sei em qual sentido ela perguntou. Passei alguns instantes pensando e comecei a contar aquela história recente.

A soma de fatores daquela noite fizeram de um simples passeio uma aventura cheia de adrenalina. Estávamos na cidade de Sirmione, às margens do belo Lago Di Garda, nossa vista ao acordar e anoitecer quando resolvemos dar uma volta pela região.
O C. Gadotti, contratante responsável pela turnê de André Rio, Olodum, Xero no Cangote, entre outras bandas, havia viajado para Bruxelas e me deixou com seu automóvel, uma van estilo "transporter", um GPS, uma autorização para dirigir na Europa e alguns roteiros que deveria seguir, mas também me deixou livre para viagens que não atrapalhassem a turnê. Depois de 8 dias passeando pela Itália aquela seria a última noite de folga e no dia seguinte eu deveria ir de carro até Bérgamo para buscá-lo no Aeroporto Internacional de Orio Al Serio para voltarmos até Sirmione e, no dia seguinte, partirmos para Roma.

A polícia européia é bastante rígida e as leis severas. Levando-se em consideração que eu era turista e ainda por cima brasileiro, qualquer deslize poderia significar a deportação.
Passamos o dia bebendo. Whisky e vinho em doses e horários alternados. O dia passou bem rápido, como todos da viagem.
Passava da meia-noite quando 4 do grupo de 7 pessoas já haviam subido para seus devidos quartos e nós 3 ainda procurávamos o que fazer. Curioso que sou comecei a procurar no GPS (incentivado pela fome) um restaurante próximo de onde estávamos e não foi surpresa quando o aparelho indicou 12 em um raio de 3km. A autorização para dirigir estava em uma pasta junto com o documento do veículo em meu quarto. Estávamos todos na mesa que ficava na calçada do hotel, pois a vista pro lago era bastante inspiradora (principalmente quando se bebe) e a chave do carro em meu bolso. Não lembro quem falou que devíamos ir dar um volta para olhar esses restaurantes que o GPS indicava. Sugestão aceita. era tudo tão perto que desligamos o aparelho e seguimos para essa missão de reconhecimento.

A essa altura eu já estava com o cú na reta. Altamente alcoolizado, dirigindo um carro sem documentos e sem a autorização. Isso seria o bastante para dar uma merda grande. Entramos e saímos em rua até acharmos por total acaso, pois nem sabíamos de sua existência, o castelo de Sirmione em uma pequena península do Lago Di Garda. A iluminação multicor era um espetáculo a parte. Como crianças ou piratas que encontram o seu tesouro todos correram do carro para ir conhecer aquela magnífica construção do século XIV ou XV. Quando fui desligar o GPS (até então bastante silencioso) e esconder a pasta de documentos do carro é que percebi que eles não estavam lá. Puta merda, e agora? Rapidamente o efeito do alcóol passou e lembrei ter deixado o aparelho em cima da mesa na calçada do hotel e os documentos no meu quarto.

O que fazer? O desespero bateu e só pensava no pior. Os problemas eram os seguintes:
- Como voltar para o hotel sem o GPS?
- Como voltar para o hotel sem saber explicar o endereço?
- Como voltar para o hotel sem ter a quem pedir explicação?
- Como entrar em contato com os que estavam lá se ninguém tinha levado celular?
- E se o GPS tivesse sido roubado? Afinal, deixei na calçada.
- Como ir buscar o Gadotti no dia seguinte? Como nós conseguiríamos chegar em Bérgamo, Lonato del Garda e Roma?
- E se a polícia nos parasse?
- Como explicar que tinha perdido o GPS, que tinha esquecido a documentação no hotel e que não tinha bebido por mal?
- E se fossemos presos? Como falar pro Gadotti e pro restante do grupo?

Os riscos eram muitos. Com o cú na mão, já depois de 1 da manhã, seguimos em total desespero tentando achar o caminho de volta. O caminho foi angustiante, mas graças à Deus aquilo não era Brasil e guiados pelos nossos anjos da guarda conseguimos encontrar o hotel e o aparelho ainda estava no mesmo lugar que havia deixado. Rezei, agradeci por aquele milagre, ligamos o aparelhinho e...

Aí voltamos pro castelo. Ainda alcoolizados, mas com a segurança de quem tinha pulado uma fogueira de costas (nisso eu sou bom, vide minha vida sentimental), munidos de toda documentação necessária e com o tal guia eletrônico passamos horas e horas tirando fotos e conhecendo cada metro quadrado daquela península. Fomos dormir quando estava amanhecendo, mas aquela noite ficou pra história definitivamente.



Escrito por J. Marinheiro Filho às 16h11
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O Jardineiro Fiel

Sigo a favor do vento
Quartos, solidão de hotel
Nomes de quem nem me lembro
Em pedaços de papel

Vou cantando, vou vivendo
Aprendendo a perdoar
Mil milagres faz o tempo
Pra quem sabe esperar

Como a mais bela flor
Não pode esconder a cor
Não sei escolher saudade
Não sei disfarçar o amor
Desde o dia em que te vi
Quis pintar de azul seu céu
Ser seu anjo mais bonito
Seu Jarndineiro fiel

Não vou chorar
Que hoje sei cuidar de mim
Não vou chorar
Pelo pouco que perdi (2x)

Flores, novo apartamento
Meu reino, meu lar
Como alimentar lamento
Tendo essa vista pro mar

Deixo que meu pensamento
Voe pra qualquer lugar
Não permito julgamento
Pra não me permitir julgar

Como a mais bela flor
Não pode esconder a cor
Não sei escolher saudade
Não sei disfarçar o amor
Desde o dia em que te vi
Quis pintar de azul seu céu
Ser seu anjo mais bonito
Seu Jarndineiro fiel

Não vou chorar
Que hoje sei cuidar de mim
Não vou chorar
Pelo pouco que perdi



Escrito por J. Marinheiro Filho às 00h56
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Só queria ter do mato...

...o gosto de framboesa...

É, cansei de ser certinho. Hoje a noite eu fumaria um facinho...
Não devo nada a ninguém. Pago meus impostos, declaro meu IR e ainda brigo na justiça pelo direito de ver minha filha. Fumar um não diminue ninguém. Não faço apologia, não sou a favor das drogas mas também não discrimino e reconheço minhas vontades. Hoje eu fumaria.

Um amigo chamado Manno Goes escreveu em uma canção algo que falava: _Como alimetar lamento com essa vista pro mar?
Então eu não lamento, eu recordo e sigo em frente. A noite chega e a lua desenha no oceano uma paisagem ímpar. João Pessoa não é o lugar dos meus sonhos (principalmente depois da viagem pela Europa), mas mar é mar e o isso sempre mexeu comigo. De vento no litoral, da Legião Urbana à o Jardineiro Fiel, de Manno Goes. O oceano tem dessas coisas.

Falando do passado é que lembro o quanto vivi. Não me vejo mais criança ou o adulto-adolescente que tomava as decisões de acordo com a empolgação ou paixão momentânea. Tenho 27 anos, sou pai, sou empresário e mantenho relações internacionais com grandes grupos e festivais da Europa e USA, a fase de brincar já passou faz tempo, cada passo tem que ser planejado.

A Paraíba esconde e revela parte da minha história, seja da infância pobre do meu pai e dos meus tios as conquistas da família que escreveu seu nome em um pedacinho do Nordeste. Nós sabemos o que fizemos, por onde andamos e onde queremos chegar.

O jogo Brasil vs Argentina foi apenas um aperitivo da noite que contou com o encontro de irmãos, de gerações, de amigos e do aniversário de Renato Marinheiro. Tio, amigo, ex-chefe, ex-sogro e pra sempre companheiro. Aquele que me ensinou a trabalhar, que me capacitou pro mercado de trabalho e que me deu a prima que eu mais "gostei",  a que namorei, peguei, fiquei, outros "ei" e agora vive no Chile.

Se o mundo dá voltas, eu não paro de girar.

E eu não sou hipócrita, hoje eu faria tudo que me vontade eu tivesse. Ou não. Ou sim. Vai saber...



Escrito por J. Marinheiro Filho às 00h52
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