A nossa música nunca mais tocou...

Não vou falar de amor, apenas estou com a música de Cazuza na cabeça. Mas daqui a pouco passa.

Gosto do inesperado mas não gosto de surpresas preparadas. Gosto de surpreender mas não gosto de ser surpreendido. Nada combinado presta. Será? Às vezes perdemos mais o controle do que esperamos. Esse é o perigo.

Final do ano eu fiz uma lista de projetos pra esse ano. Trocar de carro era um deles, eu queria um Captiva. É, eu queria. De janeiro pra cá já aconteceu tanta coisa. Erros e acertos, investimentos bem sucedidos, outros nem tanto. Viagens por Pernambuco, viagens pelo Nordeste, viagem pela Europa e até a última ida à Noronha, semana passada. Esse ano ainda tenho alguns outros lugares para conhecer ou apenas para visitar, mas tudo isso gera um custo. Custo também da folha de pagamento dos funcionários; custo com outras despesas da empresa; custo com despesas pessoais; custo com lazer; custos com custos; até a porra do HSBC eu tive que deixar em dia por conta da empresa (se não falei, depois explicarei aqui a ação que movi contra o HSBC por devolver três cheques meus com dinheiro na conta, portanto não teriam como devolver por saldo insuficiente, além de outras coisas. O processo tá rolando mas a justiça não anda nem com o caralho, então já viu... O pato aqui acabou pagando o pato!).
Minhas reservas se foram. Clientes dão calote. As despesas aumentam... E sobre o carro, eu estou trocando o meu por um mais novo, mas tá longe de ser o Captiva.

Ah, a vida de empresário é como uma rapadura: É doce, mas não é mole.

Espero fechar um bom contrato por esses dias, porque tá cada dia mais difícil.
Quem torce por mim, pode rezar. Quem torce contra, até o momento sua torcida tá ganhando. Mas como não vivo de aparências, a verdade é essa: _Preciso organizar minhas finanças urgentemente, pois embora não tenha dívida alguma, mas já estourei toda minha "verba de 2009".

Aceito doações



Escrito por J. Marinheiro Filho às 19h04
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Já em terra firme

Vista do céu, Recife é uma favela gigante. Vista de perto, é bem pior.

Se já não bastasse o fato de sair das águas calmas e claras de Fernando de Noronha em plena quarta-feira para ir direto pro escritório no centro do Recife, a quinta-feira ainda me reservava outras surpresas.

Acho que meu pensamento adiantou, pois após remarcar a reunião da manhã dessa quinta para a próxima terça, torci o que pude para que a da tarde também fosse adiada, e assim o foi.

Sinceramente eu não queria que esse dia tivesse começado, mas já que começou, eu não queria que acabasse. Pode até não ser nada demais, só que pra mim, a partir de amanhã muita coisa terá que mudar, da pior forma possível. As vezes é preciso recuar para avançar em seguida e vencer, mas dói andar pra trás.

Falando sobre acasos que deram certo, encontrar Tarcisio e família no Bompreço foi muito bom, só não foi melhor que a mensagem de Morgann marcando para eu ir buscá-la às 19h (tudo bem que cheguei era mais de 20h). O jantar, o chopp, a capirinha e a coca do Ilha dos Navegantes estavam no ponto. Melhor que isso, só a companhia daquela francesinha que veio na cadeira ao lado no avião, quando voltei da Europa agora no começo de agosto. Para quem não tinha vindo ao Brasil ela já está desenrolando bem o português nesse seu intercâmbio. Foi bom eu ser o primeiro que ela conheceu, até mesmo porque é tão difícil você ser o primeiro de uma mulher em dias de hoje...

Já são quase meia-noite e eu preciso publicar antes que o dia acabe. Quanto às outras novidades? Vai rolando....



Escrito por J. Marinheiro Filho às 23h57
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O sol se põe para todos

Estamos acostumados a escutar a velha frase que o sol nasce para todos, mas assim como ele nasce, ele se põe.
Para quem conhece esse lugar no meio do nada, 545km distante de Recife, um pedaço do paraíso na terra chamado de Fernando de Noronha, sabe que um dos momentos mais esperados para moradores (ilhéus) e turistas é o por-do-sol da praia do Boldró. O bar, o Fortinho do Boldró, oferece total estrutura e apoio às centenas de pessoas que, diariamente, vão em busca de mais um espetáculo da natureza: o momento exato que o sol desce e se esconde por trás dos morros "Dois Irmãos".
O cenário é perfeito. Montanhas, mar de águas transparentes, pedras e aquela prova que Deus pode até não ser brasileiro, mas tem um carinho especial por nossa terra e nos presenteou com esse conjunto de 21 ilhas e ilhotas.
Do bar, além da cerveja gelada e completo cardápio de comidas e bebidas, sai um som escolhido especialmente para a ocasião. Momento totalmente sunset.
De Jorge Vercilo à um carinha com uma voz igual à de Tiago Iorc. Quarenta e cinco mesas, com quatro cadeiras cada, além de quatro lounges com tapetes e almofadas completam o clima. Prometi à mim mesmo que da próxima vez minha nargilé (minha, e de Ilanna, vale ressaltar, pois compramos juntos e eu assumi praticamente exclusividade dela, com a ida de Ilanna pro RJ), pois o lounge é um convite à ervas, relaxamento e imaginação.

Quando o sol finalmente se esconde, após incansáveis seções de fotos, todos aplaudem reverenciando essa natureza impecável. Os pensamentos se perdem e consigo voltar a fazer planos. Raramente eu consigo unir em uma viagem de negócios tanto prazer, paz e resultados. Agradeço à nossa objetividade, que nos proporcionou resolver tudo que precisávamos com folga para disfrutar dos prazeres do arquipélago.

Há várias sensações em Noronha, a mais constante é de encantamento com as belezas naturais. Tive o privilégio de conhecer o lado da ilha que poucos conhecem, pois além do turismo (que não tem como não fazer), viemos realizar um completo estudo mercadológico, encomendado por uma grande empresa à nossa agência (a Conexão PE) onde coletamos informações desde o Administrador da ilha ao pescador nativo. Como qualquer local, aqui também tem suas dificuldades e limitações. Foi bom saber o que se passa depois do sol se por e antes dele nascer; Foi bom ver que existe muito mais que praias, Bar do Cachorro, do meio ou do Boldró; Importante perceber que não é apenas na pousada Maravilha ou da recém-construída pousada de Ivete Sangalo com Durval Lélis que se encontra conforto e badalação (essa última, visitamos suas instalações hoje e, sem dúvida, é um dos maiores empreendimentos do local); Noronha tem um potencial ímpar e, se bem aproveitado, poderá render muito além do que já rende. Os defeitos e problemas serão facilmente resolvidos com um bom e eficaz investimento, de resto, é só lazer. Como alguém falou: _Aqui todo dia é sábado. E não é que é?

Voltando ao Bar do Cachorro, é nele que encerramos a noite de hoje e os trabalhos dessa viagem. A quarta-feira será reservada apenas para um bom passeio, de carro e/ou de barco, um pouco de mergulho e mais histórias pra contar. Pra Recife, eu devo voltar nessa quarta ou quinta, e pra Noronha...



Escrito por J. Marinheiro Filho às 17h17
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O Reggae

       "Ainda me lembro aos três anos de idade o meu primeiro contato com as grades
       O meu primeiro dia na escola, como eu senti vontade de ir embora
       Fazia tudo que eles quisessem, acreditava em tudo que eles me dissessem
       Me pediram para ter paciência. Falhei."

Já faz tempo que o dinheiro não é fator determinante em sair ou não. O que me prende em casa não é a falta dele, e sim, de vontade.
Bem verdade que, por diversar vezes, estive liso o bastante para que não tivesse condições alguma de sair, mas meu trabalho e meu círculo de amizades sempre me proporcionou bons momentos nos melhores lugares. Festas, baladas, boates, shows, camarotes e viagens curtas. Em muitas ocasiões em que, normalmente as pessoas gastam uma pequena fortuna para disfrutar daquele prazer passageiro, eu estava sem gastar um centavo ou até mesmo recebendo para estar ali.
Ainda novo comecei a viajar pelo Brasil e circular pelos mais badalados hotéis e eventos. Aos 18, estive diante de governantes e representantes dos quatro continentes em um mega evento de turismo que tive a oportunidade de produzir o show de abertura. Ali nascia o Marinheiro produtor.


       "Então gritaram: - Cresça e apareça!
       Cresci e apareci e não vi nada, aprendi o que era certo com a pessoa errada
       Assistia o jornal da TV e aprendi a roubar pra vencer
       Nada era como eu imaginava nem as pessoas que eu tanto amava
       Mas, e daí, se é mesmo assim vou ver se tiro o melhor pra mim."

Essa vida agitada me levou à conhecer diversos tipos e a me conhecer, me descobrir. Diariamente os acontecimentos vão causando pequenas alterações na personalidade humana, e o Marinheiro que todos conhecem começou a ser desenhado naquele dia 8 de março. Acho que de todas empresas que trabalhei essa é a única data que lembro, porque em tom de brincadeira fiz questão de dizer que minhas novas colegas de trabalho estavam me recebendo como um presente pelo dia delas.
Ali eu fui de estagiário a Gerente de Marketing como num passe de mágicas. Fortaleci alguns vínculos, criei outros, parti alguns e me enganei na maioria das vezes. Quando eu falo que o Marinheiro de hoje nasceu ali é que, influenciado pelos que me cercavam, comecei a mudar alguns gostos. Fiquei mais exigente em alguns critérios e relaxei em outros. Sensações, emoções e decepções. Tudo junto e misturado, não é assim que funciona? Acreditei estar no caminho certo e me deixei levar pelos momentos. Um Marinheiro que não dizia necessariamente quem eu era começou a circular pelas noites do Recife. Um fotógrado? Um produtor? Empresário de artistas? Assessor de famosos? Afinal, quem era eu? Ninguém sabia ao certo, muito menos eu. Naquele instante eu passei a aprender que status não significava necessariamente dinheiro. Conquistei bastante coisas com meu talento e determinação, mas também é verdade que muita gente se deixou levar pela ilusão e foi atrás do que não era bem o que parecia. Inclusive eu.

       "Me ajuda se eu quiser, me faz o que eu pedir
       Não faz o que eu fizer, mas não me deixe aqui."

Também não demorou muito para eu perceber que nem todos que me cercavam gostavam de mim. Por outro lado, só enxerguei os defeitos de quem eu quis enxergar. Em algumas situações foi muito mais fácil aceitar o que me era oferecido do que o que se escondia por trás de uma bela embalagem, sem nem me preocupar com a procedência da mercadoria ou data de validade. Ali eu criava um vício. Era como uma droga, eu sabia que não era certo, que não faria bem, que ia dar em merda mas quis experimentar por acreditar que o prazer iria compensar os riscos. Provei. Gostei. Repeti e repeti muitas outras vezes.
Era esperado que algumas pessoas se afastassem. Eu havia mudado bastante. Os verdadeiros amigos continuaram ali. Os fracos se foram. Os interesseiros continuaram enquanto conseguiam tirar algum proveito. Eu quis acordar.

       "Ninguém me perguntou se eu estava pronto e eu fiquei completamente tonto
       Procurando descobrir a verdade no meio das mentiras da cidade
       Tentava ver o que existia de errado, quantas crianças Deus já tinha matado."

Tive uma fase de isolamento. Não queria mais os programas de família. Não me interessava ir às festas da empresa ou aos showzinhos com as bandinhas medíocres da cidade ou artistas nacionais. Para mim era tudo uma grande e desnecessária bosta. Tentei consertar. Tentei mudar. Se foi pior, eu não sei, mas não dava pra corrigir o que eu já tinha feito e onde eu havia chegado. Procurei explicações onde não havia. Procurei soluções onde também não havia. Procurei pelo amor, que embora eu acreditasse, não existia. Não tinha mais o que procurar. Não tinha mais o que esperar. Nada que eu fizesse, iria mudar.

       "Beberam o meu sangue e não me deixam viver, tem o meu destino pronto e não me deixam escolher
       Vem falar de liberdade pra depois me prender, pedem identidade pra depois me bater
       Tiram todas as minhas armas, como posso me defender?"

Status e dinheiro. Amor e poder. Nada adiantaria, já haviam levado tudo e eu me encontrava sem chão, sem rumo. Meus argumentos não valiam de nada. Por um determinado espaço de tempo o Marinheiro deixou de existir. Não sabia quem era ou pra onde ia. Não sabia nem sequer aonde queria chegar ou se queria continuar caminhando. Ali eu poderia ter destruído o que todos conheciam, mas não. Hoje eu continuo com os gostos e critérios mais apurados. Busco sempre o melhor pra mim. Continuo apreciando uma boa música, um bom vinho, um bom lugar e, acima de tudo, uma boa companhia. O que mudou? Mudou que ninguém precisa saber o que visto ou onde como. Quem eu como então, ninguém precisa saber. É fato que continuo me expondo bastante em meus textos e em algumas fotos estrategicamentes publicadas em orkut, facebook ou qualquer portal de relacionamento. Então, o que mudou? Mudou que só digo o que quero dizer. Que só faço o que quero fazer. A noite do Recife já não é a mesma. As minhas noites já não são iguais. Estar em casa em pleno sábado à noite não é falta de opção nem de grana, é questão de escolha. Morar só tem dessas coisas: em um dia você tá louco pra ver gente, no outro dia você não quer ver ninguém. "Nossa liberdade é o que nos prende". Sigo aquele ditado de que QUEM PROCURA, ACHA, e quem quiser saber sobre mim, vai saber. Mas não conto meus planos. Não arrisco o que pode dar errado. Quer saber sobre mim? Visite o blog, espere novas fotos, pois o que eu quiser mostrar, eu irei, mas não pense que vai me encontrar em um showzinho ou de mãos dadas no calçadão de Boa Viagem. Meu tempo de provar quem eu sou, já passou. Agora eu quero é viver. Quer torcer à favor? Eu agradeço. Quer torcer contra? Vai perder seu tempo, pois quando construímos bases sólidas não tem vendaval que derrube e, se um terremoto vier, reconstruíremos cada lugar; recolocaremos cada tijolo e cada quadro da parede, afinal:

       "Vocês venceram esta batalha. Quanto à guerra, vamos ver."

       O Reggae (Marcelo Bonfá / Renato Russo)



Escrito por J. Marinheiro Filho às 12h21
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